Currículo Simone Bertuzzi |
Quinta-feira, Maio 10, 2007
:::Textos para o site Poa Cultural::: Os Mutantes, inovando e recordando em Porto Alegre. FOTO O Teatro do SESI está completando 10 anos e não poderia deixar por menos em sua comemoração. Para festejar seu aniversário, traz a Porto Alegre Os Mutantes, em sua nova formação, no dia 26 de maio. A volta inesperada do grupo rockeiro no ano passado, surpreendeu a todos os fãs dos músicos sessentistas. Mesmo com a recusa da líder ¿fogosa¿ Rita Lee, Arnaldo Batista, Sérgio Dias e Dinho Leme voltaram à cena do seu rock ¿mutante¿ com a nova vocalista, Zélia Duncan. Depois de gravarem CD e DVD em sua passagem pela Europa, Os Mutantes estão lançando som e vídeo de sua nova fase em turnê pelo Brasil. Apesar de tantas inovações da banda que mais representou o rock brasileiro, pensar no show dos Mutantes leva a querer recordar seus clássicos e deliciosos sons que ultrapassaram gerações. Como as canções ¿Balada do Louco¿, ¿Ando meio Desligado¿ e ¿Bat Macumba¿. Vale lembrar que a cantora Rita Lee saiu do grupo em 1972 e desde então, Os Mutantes estavam parados. Após a separação dos músicos, nos anos 70, foi lançado apenas um tributo à banda, e a cantora seguiu sua bem sucedida carreira solo. Em 2006, Sergio Dias e companhia resolveram voltar à ativa, porém, sem a voz de Rita, substituindo-a pela cantora Zélia Duncan. O quê? Show Os Mutantes Onde? Teatro do SESI (Av. Assis Brasil, 8787 - Porto Alegre) Quando? Dia 26 de maio, às 21h Quanto? R$ 120 (platéia baixa), R$ 100 (platéia alta) e R$ 80 (mezanino) *Pontos de Venta: Lojas TIM (Iguatemi e Praia de Belas) ou pela tele-entrega Branco Produções (51) 3231.4142 (de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 19h) Desconto para associados ao Clube do Assinante ZH (10% de desconto). __________________________________________ Punk rock inglês dos Buzzcocks em show hitórico na Capital
Se curtir o calor do público brasileiro era o que os ¿Buzzcocks¿ queriam, eles conseguiram. Os britânicos encerraram sua passagem pelo Brasil no último dia 3, marcando presença histórica no Opinião, em Porto Alegre. A noite começou com o curto e bom show da banda ¿Os Torto¿, abastecendo o público que começava a chegar. Já em clima de punk rock e com o espaço mais lotado, ¿Os Replicantes¿, fizeram seus trinta e poucos minutos de show. As duas horas de aquecimento para ver os ingleses subirem ao palco foram saudosas. As bandas porto-alegrenses souberam matar a ansiedade dos fãs, com toda a energia dos clássicos punks gaúchos. Cheios de glamour, Pete Shelley, Steve Diggle, Tony Barber e Danny Farrant finalmente tomam suas posições no palco e abrem o esperado show com o hit ¿Flat Pack Philosophy¿, de 2006. Os Buzzcocks diviram seu set list entre novas músicas e singles setentistas de sucesso. Os próximos sons, ¿Sell You Everything¿, ¿Reconciliation¿ e ¿Soul Survivor¿, do CD ¿Flat-Pack Philosophy¿ foram só o começo da metralhadora de guitarras distorcidas. Seguindo o repertório, energéticos e experientes, a banda resolveu voltar ao tempo de sua discografia tocando ¿Boredom¿, do EP Time's Up, de 1976. Emocionado, o público não deixou a desejar ao acompanhar Shelley no vocal. ¿Fast Cars¿, ¿I don't Mind¿, ¿Autonomy¿, ¿Get On our Own¿ e ¿Whatever Happened to...?¿ foi a seqüência de canções do disco ¿Another Music in a Different Kitchen¿ (1978), que levou amantes da Buzzcocks à loucura. Entre caras e bocas de Pete Shelley e Steve Diggle e a ¿concentração¿ do baixista Barber, o show foi seguindo com espírito divertido e familiar entre os que estavam assistindo. Para continuar a ¿sessão de fogo Buzzcocks¿, um dos sons mais energizantes do quarteto, ¿Sick City Sometimes¿, teve direito a dançinhas do carismático guitarrista e vocal, Diggle. Depois da retomada na canção de 2003, a banda seguiu com a dose de lembranças para os fãs com tocando ¿Why cant I touch it?¿ (1979) e as músicas ¿Noise Annoys¿ (1978), ¿Break Down¿ (1977), ¿Love you More¿, ¿Promises¿ e ¿What do I Get¿ de1978. Com batidas rápidas do integrante mais novo do grupo, Danny Farrant, o show foi se encerrando, ainda explodindo energia em ¿Harmony in My Head¿, o famoso single de Steve Diggle, do fim dos anos setenta. Outros clássicos como ¿Times Up¿, de 1976, a conhecidíssima ¿Ever Fallen in Love¿ e ¿Orgasm Addict¿, de 1978 deram fim a primeira retirada dos ingleses. Os mais de sessenta minutos de show não foram o bastante. Pete, Steve, Tony e Danny voltaram à cena e atenderam ao pedido do público que queria mais, presentiando os fãs com pouco mais de dez minutos de bizz. Buzzcocks fez um show com repertório quase completo, de hits que vinham desde o disco Time's Up (1976) ao ¿Flat-Pack Philosophy¿, do ano passado. A banda deixou os gaúchos com gostinho de quero mais. Segundo Tony Barber, eles pretendem voltar ao país em seis anos e em junho, entram em estúdio para gravação do seu próximo disco. Buzzcocks promete mais! Texto por Simone Bertuzzi Foto por Tatu ___________________________________ Nei Lisboa: quatro noites de ¿Translucitação¿ no São Pedro
O querido dos gaúchos, Nei Lisboa, cobrirá Porto Alegre de MPB neste final de semana, lançando seu mais novo disco Translucidação. O músico faz quatro apresentações no palco do Theatro São Pedro, de 10 a 13 de maio. O show reúne canções novas e toda a glória da música popular brasileira de Lisboa. Natural de Caxias do Sul, entre idas e vindas a Porto Alegre, morou em São Paulo e Florianópolis. Hoje, está de volta ao Sul, aproveitando a Capital e presenteando os gaúchos com sua música. Compositor desde os anos 70, começou sua discografia em 1983. Na bagagem, o cantor possui canções categóricas que o levaram a se destacar entre os músicos do Brasil como, ¿Tropeço¿, ¿Muito¿, ¿Cóte d' azur¿ e ¿Clichê¿. Em 2005, Simone Capeto lançou um álbum de quinze músicas interpretando o ídolo Lisboa e no ano passado, os cantores se apresentaram juntos em Porto Alegre. Além disso, outros ícones do MPB interpretaram sucessos de Nei, como Caetano Veloso, ao soltar a voz em ¿Pra te lembrar¿. No longa ¿Houve Uma Vez dois Verões¿, de Jorge Furtado, o gaúcho participou da trilha sonora com a canção ¿Tell it like it is¿, onde vários outros cantores de sucesso fizeram suas interpretações. Com gostinho de bolero e melodias que purificam os ouvidos, Translucidação ocupa o 9° lugar na discografia do artista. Inglês afiado em algumas faixas e português que viram poemas, o CD é digno das quatro noites de seu lançamento. O quê? Show do Nei Lisboa lançando o CD ¿Translucidação¿. Onde? Theatro São Pedro (Pç. Mal. Deodoro s/n ¿ Centro) Quando? Dias 10, 11, 12 e 13 de maio, às 21h Quanto? Dia 10 de maio, R$ 25 (platéia), R$ 15 (camarote central), R$ 10 (camarote lateral), R$ 7 (galerias). Demais noites, R$ 25 (platéia), R$ 20 (camarote central), R$ 15 (camarote lateral), R$ 10 (galerias) Foto por Raul Krebs Domingo, Abril 29, 2007
Zé do Bêlo "Salva"
por Simone Bertuzzi - Poa Cultural (www.poacultural.com.br) Foto por Marcelo Nunes
Depois de passear pelas ruas da capital gaúcha com as mulatas da Polar, durante o período da Copa em 2006, Mauricio Sanches, mais conhecido como Zé do Belo, volta a Porto Alegre para lançar seu novo álbum ¿Zé do Belo Salva¿. Sua mescla de samba, blues, rock e reggae compõem o disco de 14 músicas novas, que conta ainda, com uma faixa bônus feita para a empresa patrocinadora do CD. A produção do álbum é por conta de King Jim, Eduardo Santos, Marcelo Fornazzier e Bruno ¿Cauby¿ Suman. Zé do Bêlo começou sua carreira subindo ao palco do lendário Garagem Hermética, em 1996 e virou ícone entre os artistas alternativos da cena gaúcha. Shows, gravações e participações em coletâneas foram surgindo entre os anos de 97 e 98, e então foi lançado o primeiro disco solo de Zé, o chamado ¿Acústico¿, no ano 2000. Sempre carismático e comunicativo, o artista é conhecido pelo seu jeito único de criar sambas e ter sua própria linha musical. As letras retratam histórias de noites boêmias, a música mistura swing e o resultado lembra um som MPB bem ¿escrachado¿, como o próprio Bêlo diz. Querido pelo público do sul, em 2004 se elegeu vereador com o maior índice de votos pelo Partido Verde, em Porto Alegre. Entre suas participações políticas, criou projetos como ¿Movimento 10 para a Cultura¿ e ¿Movimento Rock Contra a Fome¿, que arrecada e distribui alimentos até hoje nas produções de shows da Capital. Além disso, o músico foi apresentador de um programa semanal na rádio Ipanema, em 2005. No ano passado Zé do Bêlo começou a trabalhar como funcionário público e em função disto reside Bombinhas desde 2006. Mesmo com o novo emprego e morando em outra cidade, as gravações para o ¿Zé do Bêlo Salva¿ não pararam em Porto Alegre e o músico se prepara para lançar seu segundo disco oficial em casa. ¿Sempre que tiver um feriado eu vou tentar agendar alguma coisa pro RS, minha expectativa é fazer shows em SP e RJ ainda este ano, pelo menos de voz-violao-percussao pra ir abrindo caminho à banda¿, disse o músico. A turnê apresentando a ¿poesia através de samba e rock and roll¿ inicia em Caxias do Sul, no próximo dia 27/04 e segue para São Leopoldo dia 28/04. Zé do Bêlo & Banda passam por Porto Alegre dia 29/04. O show acontece no Bar Ocidente, com direito a participações especiais do músico Gabriel Guedes (Pata de Elefante) e Marcelo Fornazzier. Serviço: O que?Show Zé do Bêlo & Banda lançando novo CD ¿Zé do Bêlo Salva¿, com participações especiais de Gabriel Guedes (Pata de Elefante) e Marcelo Fornazzier. Quando? 29de abril às 21h. Onde? Ocidente Bar & Café ¿ Av Osvaldo Aranha esq R. João Telles. Ingresso? R$ 10,00 (ingressos no local)
Rock de salto alto
Começaram aos poucos e agora querem invadir o mundo rockeiro em cima do salto. Com grandes exemplos como Debbie Harry (Blondie) e Patti Smith, as cordas e microfones hoje caem em mãos femininas. Já é da antiga que bandas como L7, Bikini Kill, Joan Jett e Elástica mostram bom serviço quando se fala de rock and roll. Com o tempo, as riot grrrls foram aumentado, modernizando e invandindo o universo tão habitado pelos homens. The Long Blondes
O glamour e o estilo dos The Long Blondes são apenas detalhes que qualificam o som do quinteto. As músicas são felizes, com letras melódicas que combinam perfeitamente no vocal de Kate Jackson (a garota sexy do rock britânico). A banda conta com três garotas: Kate (vocal), Emma (teclado e guitarra) e Rennie (baixo), e com os boys Dorian (guitarra) e Screech (bateria). O disco ¿Drive You Home¿ dos ingleses de Sheffield foi lançado no Brasil no dia 1º de abril e é uma boa pedida pra quem curte um pós-punk moderninho com vocais que lembram Debbie Harry (Blondie) e Patti Smith. Escute na internet: www.myspace.com/thelongblondes www.thelongblondes.co.uk The Muffs
Com Kim Shatuuck no comando, Ronnie Barnett no baixo e Roy McDonald na batera, os The Muffs fazem seu som por aí desde 1993. A banda de Los Angeles, que tem uma pitada punk, lançou seu último CD em 2004, o ¿Really Really Happy¿. Em toda sua trajetória, a banda já trocou de formação uma vez e lançou quatro CD¿s. Num estilo The Donnas mais pop e rouco, eles prometem um novo disco que está sendo trabalhado desde o ano passado. Rock and roll puro e voz nervosa transforma os sons dos Muffs em boas letras para cantar e ouvir no volume mais alto possível. Escute na internet: www.the-muffs.com As pop do rock canadense, Lilix
Compositoras desde pequenas, as imãs Lacey- Lee e Tasha Ray Evin foram quem deram o ponta-pé inicial para o nascimento da banda canadense Lillix. Apesar de toda a produção do mundo pop sobre as garotas, o som é divertido e cai bem nas atuais festas rock moderninhas. Na ativa desde 2004, a banda conta hoje com Ashley Grobell, (baixo e vocal), Eric Hoodicoff (bateria), Lacey-Lee Evin (teclado e vocal) e Tasha-Ray Evin (guitarra e vocal). Entre breves riffs indies, batidas eletrizantes e guitarras estacadas de hard core, os sons misturam coisas novas e uma linha base que já não é tão comum nas rádios. O quarteto já conquistou um público tri pela região do Canadá e tem tudo o que uma banda precisa para fazer sucesso. Basta esperar e ver se os exigentes ouvintes irão curtir o som das garotas. Estilo e inspiração elas têm. Escute na internet: www.myspace.com/lillix http://www.lillix.net Domingo, Fevereiro 25, 2007
Entrevista HENRIQUE BADKE - Zine Lovers Rock/ fevereiro 2007
"Música boa pra mim é aquela que faz meu sangue correr mais rápido. Que dá prazer. Que vira curtição. Rótulo combina mais com sabonete (risos)" Nessa edição do Lovers Rock, fomos um pouco mais longe da cena rockeria do RS. Fã de carteirinha e ansioso para ver o show do Foo Fighters no Rio de Janeiro, Henrique Badke contribuiu com uma breve entrevista para o Zine. Badke é vocalista da banda carioca de punk rock Carbona. Músico e publicitário, o cara está a mil com o trabalho e os shows. A banda lançou seu oitavo CD, Apuros em Cingapura, em 2006 e tem planos de tocar em Porto Alegre ainda este ano. "Adoramos o sul e suas bandas. Somos fãs do rock e punk rock gaúcho. A previsão é que a gente se apresente por aí em setembro".. Morador do Rio, ele falou sobre violência, diversidades musicais e sobre o samba de raíz que rola por lá. Blogueiro, Henrique publica suas idéias e novidades Carbônicas no site www.badke.blogspot.com e também no site oficial da banda, www.carbona.com.br. [S.B.] O que você acha a respeito da relação punk= violência, drogas? [Henrique] Violência não combina com nada, muito menos com música. Droga é algo negativo que se manifesta em todos os segmentos de nossa sociedade. Muitas pessoas associam o mundo da música, da arte às drogas. Não acho que é por aí. Vejo o punk rock associado a um ambiente positivo. Libertário quando politizado, e divertido quando cantado de forma mais ingênua. [S.B.] Carbona teve mudanças no som ao longo de seus discos, mas a essência punk rock sempre ficou. O que você acha das diversas ramificações dentro de um estilo de música? [Henrique] Não me preocupo nem gosto muito de rótulos embora reconheça que às vezes podem ajudar a conectar as pessoas com seu gosto musical. O problema do rótulo é que as vezes as pessoas se ancoram a uma fórmula e esquecem de ouvir e curtir a música. Eu venho tentando ouvir mais a música e menos o que o "som é". Música boa pra mim é aquela que faz meu sangue correr mais rápido. Que dá prazer. Que vira curtição. Rótulo combina mais com sabonete (risos). [S.B.] Para você, o que influencia essas diversas ramificações que muitas vezes geram conflitos internos? [Henrique] Acho que a música tem caminhado num caminho contrário. A música não briga. Quem briga são as pessoas que tem diferenças. Acho que o mundo já está muito duro para perdermos a música para o lado da violência. [S.B.] Os jovens e afins escutam rock and roll por diversão, sentimentos e etc. Os soldados americanos que estão no Iraque ganharam Ipods do governo. Segundo eles, escutam música na hora da batalha e para eles os rocks mais rápidos e nervosos os ajudam a matar. O que você acha sobre isso? [Henrique] Mais uma vez, quem mata e quem guerreia é o homem, não a música. A música neste caso é um instrumento mal utilizado pelo homem. [S.B.] O Rio de Janeiro é uma capital onde a arte é muito comum na vida das pessoas. O teatro, por exemplo, é um setor bem movimentado. Além de música, qual outra arte que você mais costuma apreciar por aí? [Henrique] Olha, minha vida é muito envolvida pela música. Acho que depois da música tenho o cinema e literatura juntos no segundo lugar. [S.B.] Longe de falar em pagode... (risos), você costuma ouvir os sambas de raíz? [Henrique] Não é algo que escuto em casa. Mas o Rio tem em suas raízes culturais o samba. Está no DNA da cidade. Sair com os amigos à noite e parar num lugar onde se apresentam músicos tocando samba de raíz é comum e pode ser agradável. Afinal de contas, boa cia, bom papo e uma cerveja em cima da mesa já garante por si só um bom programa. [S.B.] Por que o Carbona trocou o inglês pelo português no penúltimo CD, "Taito Não Engole Fichas"? [Henrique] Por uma série de fatores. Poderia citar milhares deles. Ai vão alguns: a gente tocava na hora do descanso nos ensaios musicas em português. Um dia tocamos 15 delas e pensamos ¿Uau temos um álbum, é divertido e está dentro do universo de criação. Por que não gravá-las?¿ Um outro fator seria o fato de ter uma relação mais sincera com os fãs, ou seja, todos entenderiam as letras e saberiam exatamente o que o Carbona cantava em suas músicas. Um terceiro fator... na vida a gente muda muito e num dado momento, enquanto compositor, passei a não ver muito sentido em cantar numa língua que não é a minha e a qual não dominava direito. Acho que faz parte da vida. Não iria acabar com a banda por causa disso. Os fãs aprovaram, as pessoas curtiram e eu como compositor me senti muito motivado. [S.B.] As gravadoras influenciaram muito na hora das gravações do Carbona? [Henrique] Não. Na verdade, lançamos até hoje por selos independentes. Acho que a presença de um produtor pode ser muito boa ou muito ruim. É uma questão de afinidade e de filosofia de trabalho. Rick Rubin (ex-produtor do Metállica e Linkin Park, entre outras estrelas do rock), por exemplo, é um gênio capaz de gravar Johhny Cash, Slayer, Red Hot Chilli Peppers dando uma sonoridade própria pra cada um. [S.B.] Tem muita garota querendo parecer a Nancy e garotos querendo parecer o Sid Vicius. Eles os têm como exemplos de atitudes, personalidades e estilos. O que você diria a essas meninas e meninos? [Henrique] Adoro a música dos Pistols. Acho O Never Mind the Bollocks um marco. É crú, é irreverente, é diferente. Sid Vicius foi um ícone que teve uma vida trágica. Nancy foi assassinada. A vida é feita de escolhas. O que diria? Positivadade sempre! Qualquer caminho que seja trilhado. Seja positivo. [S.B.] Antes da banda reaparecer nos anos 90, os New York Dolls tiveram apenas 4 discos. O que foi suficiente para serem consagrados na história do punk rock entre as tantas bandas dos anos 70. O que falta hoje, para as músicas e bandas serem mais eternizadas pelos fãs? [Henrique] Nossa, que ótima pergunta. Uma das mais interessantes que respondi nos últimos meses. Não sei te responder. Vejo por parte da meninada uma idolatria pelos Doors, pelos Beatles por Hendrix e um certo desprezo pelos Mutantes, Raul Seixas ( que virou pra muitos uma piada de Toca Raul) e outros artistas brasileiros que fizeram história. Acho que talvez tenhamos artistas eternizados em outros gêneros. Algo mais conectado com a brasilidade como Chico Buarque, Caetano Veloso, artistas de samba entre outros. Será que o fato de ser o rock uma música originada em outro continente não dificulta a transformação desses artistas por aqui em eternos? Não sei. Você me responde (risos). [S.B.] ...Acho que os lugares de origem influenciam muito na formação dos músicos. Por exemplo, ninguém consegue fazer samba como os artistas brasileiros e rock como os artistas ingleses. Só que, mundialmente, estão faltando letras que possam virar poemas e melodias que possam virar sons instrumentais... bom, realmente, seria uma longa resposta, mas você é o entrevistado (risos)! [S.B.] Ainda lançando, de certa forma, o disco "Apuros em Cingapura", o Carbona já tem coisa nova para o próximo álbum? [Henrique] Estamos trabalhando em novas composições, pois compor é nosso grande barato. Mas ainda estamos focados 100% no ¿Apuros¿. Gravar um novo disco é um fato, mas ainda não temos previsão de lançamento. Segunda-feira, Outubro 09, 2006
[ENTREVISTA ALLAN SIEBER ]
21-Jun-2006 18:17 Chegando a Porto Alegre nesta quinta-feira, Allan Sieber, um dos responsáveis pela criação da nova publicação de quadrinhos, Revista F, falou sobre sua carreira, o plano de virar o Mister M do desenho e a nova edição da F. Com quase 14 anos de carreira, Allan já possui uma penca de quadrinhos publicados, além de produzir diversos curta-metragens de sucesso no universo das animações. Trabalhou em Porto Alegre até 1999, quando se mudou para o Rio de Janeiro para montar a produtora de animação Toscographics. Depois dessa mudança, Sieber começou os primeiros curtas com animações no Brasil, como o premiado Deus é Pai, o Os idiotas mesmo, o Petrúcio Felker e a superprodução Santa de Casa. Voltando aos quadrinhos, que ele nunca deixou de lado, Allan resolveu juntar seus melhores desenhos e roteiros no site www.tonto.com.br e, lançou (em 2004) o livro Preto e Branco. Mais tarde, novas tiras de quadrinhos vieram numa super-compilação do autor, que foi o livro de 104 páginas Vida de Estagiário. Em 2003, Allan conseguiu realizar um desejo que existia desde 1999: criou junto com Arnaldo Branco uma das melhores e mais incomuns revistas de humor do Brasil, Revista F, onde foram parar os bem humorados e criativos quadrinhos dos amigos arteiros. Hoje, a Revista F (www.fhumor.com.br), com edição de Allan e seus parceiro Leonardo e Arnaldo Branco, está com suas páginas de humor renovadas, com mais conteúdo e também com a nova editora Conrad. Além disso, a F conta com reforços de peso, como Fabio Zimbres, Langer , Schiavon, Jaca, Chiquinha e Rafael Sica. Muito bem equipada e com quadrinhos irônicos sobre a Copa do Mundo e seus jogadores, a quarta edição da F será lançada em Porto Alegre nesta quinta-feira, 22 de maio, acompanhada das bandas Poliéster, Vum-Vum e Apanhador Só, no Dr. Jekyll. Quaase chegando no sua terra natal, Allan Sieber contou um pouco sobre seus livros, filmes, projetos e de como ele consegue fazer toda essa arte apenas com um papel e lápis na mão. [Simone Bertuzzi] Como a Revista F surgiu? [Allan] Desde que me mudei para o Rio , em 99, eu falava com o Leo - chargista do Extra - sobre fazermos uma revista em quadrinhos de humor, algo que não existe mais nas bancas. Em 2003 conhecemos o Arnaldo Branco e resolvemos unir as forças para fazer o primeiro número da F, que saiu no final de 2004. [Simone Bertuzzi] Como você começou a fazer quadrinhos? [Allan] Eu comecei em 92, fazendo fanzines. Era o melhor jeito de publicar, ou, o único: se autopublicar. [Simone Bertuzzi] Novos cartunistas tem espaço na revista? [Allan] Recebemos bastante material, mas ainda temos poucas páginas, então fica difícil colocar mais gente além de nós 3 e mais os colaboradores fixos. Mas ao longo das 4 primeiras edições já efetivamos a Chiquinha, uma gaúcha que publica na Mad, e o Rafael Sica, outro gaucho q mora em SP e publica no Folhateen (Folha de S. Paulo). Somos muito fãs do trabalho de ambos. [Simone Bertuzzi] Você acha que os cartunistas são bem valorizados no Brasil? Se não, o que faltaria para ser justo com o pessoal que atua nos desenhos? [Allan] Cartunista ainda é muito mal pago e o espaço para desenhistas diminui cada vez mais na imprensa e nas revistas. Eu, pessoalmente, culpo os diretores de arte que geralmente se ficarem de quatro não levantam mais. [Simone Bertuzzi] O curta Deus é Pai foi o que te animou a montar a produtora de animação Toscographics? [Allan] A repercussão dele foi o que fez nascer a Toscographics aqui no Rio. Na época, o curta causou um certo furor e eu aproveitei isso para montar junto com a Denise Garcia ( diretora do documentário Sou Feia Mas tô na Moda) a Toscographics. [Simone Bertuzzi] Você pretende fazer mais álbuns como o Preto no Branco? [Allan] Até o fim desse ano pretendo entregar para a Conrad meu novo livro, Desenhando com o lado Externo do Cérebro, uma espécie de manual de desenho tosco, algo assim. Serei o Mister M dos cartunistas, entregando todos os truques da profissão. [Simone Bertuzzi] Fale sobre o livro Vida de Estagiário... [Allan] O livro foi publicado em 2005 e é uma coletânea das tiras que saem desde 2000 no Folhateen. Quando eu estava fazendo o livro tive a idéia de pedir depoimentos reais de estagiários, e essas pequenas tragédias permeiam os quadrinhos do livro. [Simone Bertuzzi]Quais são suas principais influências nos quadrinhos? [Allan] Fabio Zimbres, Crumb, C.C. Beck, Angeli e ...Bem, tem muita gente. [Simone Bertuzzi] Quais seus grandes ídolos dentro dos artistas que trabalham com desenho, ilustrações e design? [Allan] MZK, Schiavon, Fabio Zimbres, Kaz, Arnaldo Branco, Kamagurka, nossa, tem muita gente. [Simone Bertuzzi] Eu li que você escuta jazz enquanto desenha. E que você só escuta o jazz feito até 1965, por quê? Esse é o único tipo de som que te inspira? [Allan] Na verdade eu ouço de tudo, de Gainsbourg a rap, sou bem eclético, mas jazz é uma coisa que ouço com mais freqüência. Acho que o jazz produzido nos anos 50 e 60 é uma das coisas mais assombrosas já concebidas pela raça humana. Por outro lado eu odeio os músicos, acho q é a raça mais superestimada do mundo, então prefiro ouvir os que já estão mortos. [Simone Bertuzzi] Você mesmo faz o roteiro de suas histórias? [Allan] É, eu mesmo os faço. [Simone Bertuzzi] Com a nova editora Conrad, o que a quarta edição da Revista F traz de diferente das demais? [Allan] Ela ficou com mais páginas e temos uma estrutura bem melhor para trabalharmos. Além de periodicidade e distribuição asseguradas. Sem dúvidas as coisas melhoraram pro lado da F. SIMONE BERTUZZI - REDAÇÃO POA ROCK ___________________________________________ [Entrevista King Jim] - Saxofonista (Garotos da Rua, Cactus Jack e Três pra Jazz) e Produtor musical. S: Você que toca e escuta rock and roll há muito tempo. Na sua opinião, o que é ser um verdadeiro amante do rock and roll? King: Eu toco rock¿ n¿ roll desde os anos 80, porém, comecei a escutar nos anos 60. Nasci na década de 50 e na minha adolescência, era a época em que o mundo estava começando a mudar, as pessoas estavam se rebelando contra o sistema, e o rock era uma das ferramentas para que isso acontecesse, a nível cultural. Em Porto Alegre, no início dos anos 80, não existia nada. Não tinha um bar que tocasse uma banda de rock, só existiam lugares que se ouvia MPB e samba rock, apesar da Bixo da Seda e outras bandas terem feito uma tentativa. Mas, com os Garotos da Rua, o movimento se recriou e trouxe junto uma série de pessoas que estavam super-interessadas nisso. Tinha gente que tocava num bar de segunda a segunda, e havia também o Rocket 88, ali na José de Alencar, onde tinha bandas e lotava todos os dias. Impolgou um pessoal que queria fazer o rock e não tinham coragem, iniciativa. Passou a existir, a partir daí, muitas bandas de rock quase que imediatamente. S: Então, pra você, a Garotos da Rua praticamente foi a banda que implantou uma cena em Porto Alegre? King: É, foi uma oportunidade aproveitada. A Garotos começou a partir de dois músicos que eu conheci. Eu ouvia Jazz, ouvia outros tipos de músicas. Me interessei também em instrumentos de sopro. Já estava cansada daquela coisa muito instrumental e de pessoas metidas, e o rock é uma coisa que sempre teve que ser divertida! O rock é paixão, você não mesna na profundidade. S: Tem muita gente que por escutar rock, possui um preconceito com outros estilos de som. O que você acha sobre isso? King: Acho que existe esse preconceito em todos os gêneros, inclusive dentro do próprio rock. O tipo de rock que eu e a Garotos fazíamos, era um som que a gente buscou lá dos ingleses, com as técnicas do blues. Faces, Rolling Stones. A gente escolheu isso por ser a coisa masi aceita. S: Mas, pra ser rockeiro não precisa ouvir só rock, né? King: Não. Eu acho que quanto mais informações se busca, melhor é. Eu tenho uma certa pretensão pelo purismo das escolas de música. Acho que tentaram misturar muita coisa, que deu em porcaria. Mas também existem coisas que ficaram interessantes. Como por exemplo, o samba rock. S: E falando dessas novas misturas e as segmentações que foram surgindo na história do rock, como o punk, o metal¿ Muitos rockeiros mais antigos comentam que ¿não se faz mais rock and roll como antigamente¿. Você concorda com essa frase? King: (risos)¿ Não concordo. Acho que pouca coisa está sendo criada e as pessoas estão buscando nas raízes. Como o movimento Mod, que é típico disso. As pessoas buscam o que tinha de bom antes. Infelizmente, a fonte de inspiração seca, até por falta de elementos e referências. Existem muitas influências, mas é difícil se crier a partir disso. Por isso que é muito importante diferenciar bem as escolas, isso é legal, mas no Brasil não foi muito explorado. Existem movimentos alternativos, como você falou, hoje existem tudo que é tipo de rock, do punk rock ao new e pós (gargalhada). Acho que tem que acabar com essa história de preconceito e ficar com os ouvidos bem abertos e ter curiosidade de pesquisar. S: Você toca na Garotos há mais de 20 anos, há 15 anos na Cactus Jack, tem um trio de Jazz e ainda outros trabalhos alternativos. Fale sobre cada trabalho¿ King: É, se o cara quer viver de música, tem que atirar pedra para tudo que é lado, né! (Risos) Tem o objetivo financeiro por trás de tanto trabalho, mas também, o cara tem que fazer tudo bem feito. Não adianta ficar formando trios e bandas, sem ter músicos de categoria. O cara que quer trabalhar com música, tem que estar atento à isso, e não querer fazer muita coisa ¿bangú¿. Eu sou muito sético em relação a músicos, acho que tem que ensaiar sempre, ouvir muita música, estudar. Eu vejo uma gurizada que faz um lance de qualquer jeito, que não está nem aí pra qualidade. Para improviser tem que se ter pelo menos uma base. S: E sempre vão surgindo mais pessoas que querem seguir o caminho da música. É divertido, mas tem muitos problemas¿ Você acredita que esse pessoal novo pode apostar no rock? King: (rindo)¿ Bom, eu aconselho que a pessoa tenha dois mercês. Um é o da música, não pode se preocupar muito em ganhar dinheiro com ela porque é uma coisa que leva ao desespero em alguns momentos. E outra coisa é, ter um emprego paralelo, um curso superior, ou casa com uam pessoa rica (risos). Vale tudo, pra conseguir tocar tranqüilamente sem se preocupar com o resto. S: Como músico e como ouvinte de rock, quais eram as dificuldades nos anos 80? King: Bom, era ainda o tempo do Vinil. Agora tu imaginas as pessoas nos anos 60, que ouviam uma música no radio, com ondas medias e curtas, e tinham que tirar por exemplo, a última dos Beatles? (risos) Não tinha nada, não tinha gravador e só se ouvia chiado! Mas, dava pra arranjar um comiçário de bordo, pra trazer alguns sucessos do exterior pra cá. O Rio Grande do Sul, por sinal, se tornou a van-guarda do rock e da música, por sinal, por causa dos portos de Rio Grande e Porto Alegre, também. Eu sempre fui muito curioso, em relação às novidades da música e o que existia antes, também. As dificuldades sempre vão xistir e a gente tem que ir em busca das coisas. É claro, que hoje tem a internet hoje, mas as pessoas que lidam com a mídia não têm o conhecimento musical necessário. Não vou citar nomes, mas a coisa está feia. É lamentável, ma so que está funcionando é o Jabá, que é um crime. Hoje em dia, não tem mais como ligar o radio e ouvir alguma coisa boa. (risos) S: Como você decidiu ser músico? King: Eu tenho um problema de asma, desde que eu nasci. Então o medico me recomendou que eu aprendesse um instrumento de sopro e que eu praticasse bastante. E eu segui a regra, porque eu já estava com problemas de respiração. Passei no concurso do Banco do Brasil, e não fui trabalhar lá. Minha família foi a loucura (risos). Então, comprei um saxophone. Minha sorte foi que rapidamente eu comecei a ganhar dinheiro com isso. É como o esporte, uma época as oportunidades eram maiores. As coisas são incostantes nesse país, em benefícios culturais. E eu sempre ouvi música, desde pequeno. Já cheguei a contra em corais, que é muito bom também e me ajudou a aprimorar meu conhecimento tanto com o sax, quanto com a música em geral. S: Qual foi a banda que mudou sua vida? King: Em 1965, eu ganhei uma eletrolinha, com um disquinho dos Beatles. Depois ganhei vários outros discos dos Beatles. Acho que Beatles é banda que em acompanha desde o começo. Me interessei e adquiri todos o vinis e LPs que podia. Mas é claro, que não fiquei só nisso. Acabei me interessando por tudo. Roberto Carlos e Jovem Guarda, na época, era interessante. Mas eu ia atrás de tudo, ia na casa da minha tia e ouvia até os discos de música italiana. E eu posso garantir que tudo um dia serve pra tua vida. Pramim serve muito, até hoje. Não se perde nada com isso, em ir atrás de amplitude musical. S: O rock é uma diversão, mas tem muita gente que o encara como uma ¿modinha¿, e com o passar dos anos vai esquecendo. O que você acha disso? King: É, hoje em dia, viver disso é complicado. Ouve uma época que o Mercado era mais forte. A Garotos tinha música tocando no Brasil inteiro e até numa novella da Globo. Coisa que é muito rara hoje em dia. Acho que o rock poderia ser encarado de uma maneira mais séria. S: Mas em relação aos que se dizem ¿rockeiros¿? King: Eu não curto muito essa palavra ¿rockeiro¿ (risos). Por exemplo, eu sou músico e gusto de rock, mas acho que fica meio pejorative. S: Como se fosse um estereótipo¿ Mas pelo lado das pessoas que ouvem, sobre a fidelidade? King: Ah, é. Mas o mundo está voando a milhão. Chega uma hora que eu não vou ouvir rock, por exemplo, antes de dormir (risos). Quem gosta mesmo, tem fidelidade ao rock a vida toda. S: Se você tivesse que escolher um set list de bandas, para apresentar o rock a alguém, que bandas você escolheria? King: Eu passo por esse processo em casa (risos). Eu quero mostrar todos os clássicos, como Rolling Stones, Deep Purple, Led Zeppelin, AC/DC, Beatles, Pink Floyd e Janis Joplin. Acho que o básico seria isso. E eu gosto de White Stripes e Strokes também (risos), mas estas bandas estão reciclando o que se ouvia antes, por isso, que eu prefiro ouvir coisas do passado. Esses artistas que estão começando tem que ver o rumo que quer tomar. S: É, hoje em dia, muita gente faz música comercial.... King: É, acredito que por isso as bandas estão acabando cada vez mais rápido. E também, o desgaste, a convivência com a banda. É pior que casamento. Inclusive, estou escrevendo um livro sobre isso, os relacionamentos dentro da música. Tem que conseguir separara as coisas, na hora do estúdio, teu parceiro de banda é teu colega de trabalho e não teu amigo. S: Em relação a esse livro que vocês está escrevendo, tem previsão de quando será lançado? King: Eu estava escrevendo com muita calma, mas daí outro dia, tive uns ¿trecos¿ e eu pensei que eu ia morrer. Então, eu dei uma acelerada nisso. (brincou) ENTREVISTA PUBLICA NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO ZINE "LOVER ROCK".
Atrack
Amizade, loucura e rock 09/10/2006 | por Simone Bertuzzi Com quase dez anos de estrada de puro HC, a banda gaúcha Atrack amplia mais uma vez seus horizontes pelo Brasil. Desta vez, os garotos que abriram o show do NOFX em Porto Alegre (no último dia dois de Outubro) farão um longo trajeto de shows partindo do estado de São Paulo, passando por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e finalizando a turnê em Santa Catarina. Não é só neste mês que a banda vem se destacando. Ao longo destes oito anos de história, a Atrack traz na bagagem uma boa leva de conquistas e oportunidades que a fizeram subir e cruzar outros estados brasileiros além do RS. Foram três CDs lançados em parceria com selos de outros estados, clipes na MTV e um prêmio de revelação de 2004 do Zona Punk Awards. Neste mês, a Atrack fará onze shows entre cinco estados do Brasil, confira por onde o hardcore gaúcho irá passar: 11/10 - São Paulo/SP, no BLACK JACK 12/10 - Ribeirão Preto/SP, no CASA DE SHOWS MOGIANA 14/10 - Belo Horizonte/MG, no MATRIZ 15/10 - Rio de Janeiro/RJ, no AUDIO REBEL 20/10 - Sapiranga/RS, no BAR DO MORRO 21/10 - Campo Bom/RS, no ANAUÊ 28/10 - Lages/SC, no CONFIRMANDO LOCAL 26/10 - Florianópolis/SC, no RED CAFÉ 25/11 - Balneário Camboriú/SC, no ARMAZÉM BAR 26/11 - Rio do Sul/SC, local a confirmar Confira a entrevista com o divertido baixista e vocal da Atrack, Felipe Lazzari: ................................................................................................................................ Simone: Como a Atrack nasceu, em 1997? Felipe: O Geison, Moskito (ex-batera) e Luciano (ex-guitarrista) eram vizinhos. Em outubro de 1997 eles montaram a banda para tirar alguns covers, não tinham baixista, e estavam atrás. Só que eles não conheciam ninguém dentro do perfil da banda, ninguém do punk rock, segundo eles rolaram até uns testes, mas a galera não tinha pegada. Um dia nos encontramos e ele falou da banda e tal ... como eu recém tinha acabado uma outra, me ofereci na hora para tocar. Depois disso, começamos ensaiar e fazer alguns shows em festas de amigos e também em festivais de colégio. Começamos a ir atrás de espaço para tocar. E achamos! Participamos de uns festivais que rolavam no Bar Fim, falecido bar da Osvaldo Aranha, também fazíamos shows no Heaven Café, que época boa! S: Há muitas bandas independentes que estão na cena do punk rock e hardcore há mais de dez anos e que dificilmente conseguiram gravar um CD. Como a Atrack conseguiu realizar tantas coisas boas em tão pouco tempo? F: No início, quando começamos a tocar, por ser uma banda de punk rock / hardcore melódico muita gente começou a nos taxar de ¿for fun¿, ¿playboy¿ e outras coisas sem o menor cabimento. Nós todos somos filhos de família de classe média, cujos pais não têm como ficar bancando uma vida de rockeiro. A galera sempre trabalhou para pagar suas coisas e com certeza nunca sobrou para investir na banda. O que rolou foi organização, só isso, a gente não ficava perdendo tempo mandando fita/CD para rádio e tal, nunca almejamos isso. Nós produzíamos nossos shows, nos apresentávamos no interior e NUNCA pegamos um centavo para o nosso bolso, sempre investimos em gravação, merchandising, como uma empresa saca? Atrack/SA (risos). Falando sério, o que fizemos foi apenas fazer a banda se auto-sustentar. A convicção de se fazer o que gosta ajudou muito também. Hoje em dia continuamos pobres (risos novamente), alguns tem um empreguinho um pouco melhor e já conseguimos cobrar o transporte e um xis-salada por show. S: Logo no primeiro CD, a banda já engatinhou para ser conhecida também fora do estado. Como surgiram as parcerias com as gravadoras de Recife e São Paulo? F: Isso rolou na época que deu o booooooooooommmm da internet lembra? MIRC, sites podres (risos), que toskeira. Não lembro como rolaram as paradas, mas tudo foi via internet mesmo, os caras eram gente boa curtiram nosso som aí mandamos ver! S: O segundo disco, ¿Situações Criadas por Você¿, trouxe várias coisas boas para a banda, como os shows em São Paulo e o destaque de "Jane Lee". Dá pra se dizer que ele é o mais importante da discografia? F: É, isso é polêmica entre a banda. Mas com certeza esse é o CD que tem mais músicas conhecidas, acho que pela distribuição que teve e também pelo tempão que está no mercado. O "Observando..." está ¿bombando¿ também, mas com certeza nosso CD mais pedido é o "Sonhaste...", em tudo que é lugar. Infelizmente ele não está mais disponível em CD, só na internet, no site do Tramavirtual. S: É óbvio que uma das influências mais fortes da Atrack, é o NOFX. Como foi estar no mesmo palco deles e fazer o mesmo público pular e cantar? F: Com certeza o NOFX sempre foi unanimidade na banda, claro que a gente escuta muita coisa, muita mesmo, não só HC... mas nunca deixamos de dizer que o NOFX é a melhor banda do mundo. Essa banda nos influenciou muito mesmo. Tudo aquilo que rolou Segunda passada foi emocionante demais... achei nosso show muito bom mesmo, acho que tinha quase 6000 pessoas lá, nunca tocamos para tanta gente, mas o melhor de tudo foi conhecer os caras da banda. Para quem é acostumado com o ¿estrelismo¿ básico da "ceninha" nacional, de umas bandas que comparando com o NOFX não são nada, ter o El Hefe ajudando, incentivando a gente no backstage foi praticamente um orgasmo. Conhecer, beber e trocar idéia com eles foi a melhor coisa na história da banda. Os desgraçados nos deram até cordas e um prato de bateria, acho que queriam nos matar do coração mesmo, sei lá... mas que foi o dia mais legal da minha vida podre, foi. Bom, eu sou fã assumido né... vida longa ao NOFX! S: E a abertura do show, quem deu a idéia? Vocês correram atrás ou rolou convite? F: Isso foi outro susto, no dia que começaram a vender ingressos eu liguei para comprar o da galera aqui, e perguntei se teria banda de abertura, e o cara disse, SIM vai ser ¿o¿ Atrack. Bom, na hora eu perguntei se ele estava de brincadeira (risos). Como ele disse que não, que era sério, eu mandei suspender os ingressos e me identifiquei. Como ele disse que ia mesmo nos ligar já marcamos uma reunião e fechamos tudo. A gente só tem a agradecer ao pessoal da Paralelo e do site Surra, no tratamento e atenção dado para a gente no show. Foi exemplar, não rolou segregação nenhuma, foi clima de amizade total. S: Sobre a cena hardcore de quando a banda começou e agora, no Sul e em todo Brasil, o que você acha? F: A cena aqui no Sul está muito forte, tem muita cidade entrando no circuíto de shows e as melhorias no que diz respeito à estrutura, que também melhorou muito. Alguns anos atrás o esquema aqui era meio amador, mas isso pelo fato de que todo mundo estava apenas aprendendo a fazer as paradas e não por ma fé. No que diz respeito à união da galera e ao apoio sempre foi forte, até mesmo nas antigas. No Brasil, em geral, a coisa vem melhorando a passos largos também, algumas cidades ¿a parada¿ já é top, e outras ainda estão crescendo, mas com certeza o futuro da cena independente aqui será ótimo! Bom para as bandas novas, que estão chegando com a cama arrumada né (risos). Sorte a eles! S: E o público, se diferencia muito de estado para estado? Sendo que vocês conhecem o gaúcho, paulista... F: O público do hardcore é meio parecido em tudo que é lugar, apesar das diferenças pessoais de cada um, normalmente a galera é gente boa. Muita camiseta de banda, gritos... acho que fica difícil listar diferenças, já que todos os públicos são muito animados. A gente gosta de lugar pequeno, quente e mal iluminado mesmo... underground né?! Do público carioca a gente conhece muito pouco, muita gente compra CD, faz contato... Dia quinze será nossa primeira apresentação em solo carioca, e esperamos muito deste show, pelos comentários iremos tocar ao lado de bandas mais alternativas da cena de lá e não das ¿tops tops¿ (risos). S: Depois do show do dia dois, alguma nova oportunidade apareceu para a Atrack? F: Que nada! Nada aconteceu ainda (risos), mas o reconhecimento da galera é o que nos deixa mais feliz, e isso basta! Muita gente entrou em contato também, alegando que foi a primeira vez que assistiram nosso show e tal, em busca de material. Segunda foi um dia mágico mesmo! Mas já voltamos à realidade, com essa viagem rumo ao Sudeste para mais uma tour, esperamos fazer bons shows e também arrumar uma grana para pagar nossas dívidas, que não estão pequenas. Mas a coisa não é tão difícil assim, pois se todos que nos devem nos pagarem ao mesmo tempo a gente compra um ônibus espacial (mais risos). S: E em relação às novas músicas e CD, algum plano? F: A tour de divulgação do "Observando..." deve acabar no meio do primeiro semestre do ano que vem. Mas antes disso, voltando do sudeste a gente já deve entrar na fase de composição, já que tem muita música "rascunhada" esperando. Certamente no início do ano que vem deveremos conciliar alguns poucos shows e também muitos ensaios, para que no meio do ano possamos parar com os shows e nos dedicarmos só a pré-produção e gravação do trabalho que virá. S: Agora, falando dos shows... Vocês já têm muitos fãs por onde vão tocar? F: Na vida de banda independente isso varia muito, pois tem lugar que a gente vai tocar e lota demais, em outros tem 30 pessoas assistindo. Mas são coisas da vida, até porque nem todas as cidades em que a gente tocou foi possível divulgar nosso trabalho da mesma maneira, algumas praças tiveram divulgação forte outras não, mas o que serve de incentivo é que tudo tem um começo, e cada cidade tem uma história. Muitas delas em que nossos shows ficam lotados hoje em dia já nos proporcionaram ¿presépios¿ (palavra utilizada pela banda para descrever shows ruins) memoráveis. Ano passado teve um show em que nós tocamos para 6 pessoas (risos), 2 na platéia, 2 seguranças, 1 copeiro e 1 porteiro (riso novamente). Se tiver um só neguinho olhando, a gente faz a parada igual, pelo rock! S: Qual a expectativa para esta turnê? F: Dos 9 shows a gente imagina que serão 6 lotadaços, isso inclui BH que em hipótese alguma podemos desdenhar (risos), já que é uma cidade que nos recebe muito bem e temos um público enorme e ativo, não podemos nos queixar nem de brincadeira senão iremos apanhar (brinca). As incógnitas são Santo André/SP, Registro/SP e Rio de Janeiro/RJ, que são cidades que ainda não tocamos, mas pelo que estão falando serão ótimos shows... Nossa, imagina uma tour 100% sem presépios?! (mais risos). S: Resuma a Atrack em três palavras... F: Amizade, loucura e rock! Site Oficial: http://www.atrack.com.br. Downloads: http://www.tramavirtual.com.br/atrack. Fotos: http://www.fotolog.com/atrack. Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=440169 Contato: contato@atrack.com.br Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Resenha: NOFX encerra turnê brasileira Show de despedida foi em Porto Alegre, na última segunda-feira 04/10/2006 | por Simone Bertuzzi Se desta vez, curtir o Brasil era o que o NOFX queria, acredita-se que conseguiu. Os brasileiros, então, curtiram eles mais do que esperavam. Em quatro shows pelo Brasil, depois de estarem desde 1997 sem aparecer por aqui, os californianos encerraram sua passagem pelo país na última segunda-feira, dois de outubro, em Porto Alegre/RS, no Pepsi On Stage. Chegando próximo ao local do show na capital gaúcha, já deu para imaginar como a noite seria "tri". Ônibus de excursões por perto, pessoas do interior e da capital do RS e público do mais jovem até aqueles fãs "NOFXsianos" da antiga. Sem atrasos, a Atrack abriu a noite, a galera começou a se juntar e o espaço na frente do palco começou a ficar mais apertado. Sem muitas enrolações também, poucos minutos depois dos gaúchos tocarem, Fat Mike aparece para o público e o NOFX começa a tocar com "Murder the Government". A energia dos fãs explodiu e foi difícil um grupo de pessoas ficar sem pular. Sempre engraçados e fazendo algumas quebradinhas com as pequenas introduções interrompidas, a banda fez o que já era prometido: um show com repertório completo de hits que vinham desde o disco "White Trash, Two heebs and a Bean" de 1992 até o álbum mais recente "Wolves in Wolves, Clothing", deste ano. Depois de iniciar com o som de 1997, Mike, Melvin, Sandin e Hefe seguiram com doses de lembranças para os fãs, tocando sons como "Dinossaurs Will Die" de 2000, "Linoleum", de 1994 e "I¿m telling Tim" de 1997. Para aqueles que estavam esperando ouvir as canções mais novas, os músicos não agradaram muito, de novidade só tocaram "Seeing Double At The Triple Rock" e "Leaving Jesusland". Já de sons clássicos, o setlist estava repleto, a voz dos fãs soava bem alto com músicas como "Bob" e "Bugglew Eyes" de 1992, "Perfect Government" e "The Brews" de 1994, "I'm telling Tim" de 1997 e "She Nubs" de 2003. Sem esquecer também dos covers "Eat The Meek" e "Radio", do Rancid. E misturando músicas de toda a discografia, veio a seqüência de "Scavenger Type", "Kill All The White Man", "Franco Un-American", "Whoops, I Od' d", a já citada "Bob", "The Idiot Son Of An Asshole" e "Don't Call Me African American", antes de Eric Melvin, com seu cabelo azul, dar uma bela enganada no público com seu acordeão. Impossível não citar, Melvin parecia estar grudado no instrumento e ligado numa energia inesgotável. Foram quatro ou mais vezes que o guitarrista fez parar o som e quando o público começava a se deslocar, o figura continuava seu "solo" que durou minutos estendidos de tempo. Isso foi histórico e bizarro e o show, apesar de parecer curto, repercutiu o que a maioria dos fãs brasileiros que esperavam ver, rever ou matar as saudades dos "oitentistas" e até hoje "bons" punks do NOFX. Terça-feira, Julho 25, 2006
:::ENTREVISTAS :::
ENTREVISTA MARKY RAMONE [13-May-2006] Marky Ramone, um dos pioneiros do punk rock mundial, recebeu o Poa Rock e mostrou que a fama não impede um rock star de ser atencioso com as pessoas. O músico não mudou nada do que se é acostumado ver nos vídeos de sua carreira. Mesmo depois do fim, os Ramones são consagrados na cena punk e Marky, em um ótimo estado, representa o estilo melhor do que nunca tocando em palcos do mundo inteiro. Marc Bell, conhecido com Marky Ramone, entrou para os Ramones em 1978, após a saída de Tommy Ramone, que se tornou o produtor da banda. Antes de se juntar aos Ramones, Bell tocou com os grupos The Voidois e Dust. Marky entrou para os Ramones no ano em que foi gravado o disco Road To Run. O baterista ainda participou dos albuns Rock N' Roll High School (1979), End Of The Century (1980), Pleasant Dreams (1981) e Subterranean Jungle (1983), quando foi substituído por Richie Ramone. Neste ano, Marky parou de tocar para se recuperar do alcoolismo. Depois de quase cinco anos, Marky já estando 100%, volta a mandar ver na bateria dos Ramones. A partir daí, foram gravados os discos Brain Drian (1989), Mondo Bizarro (1992), Acid Eaters (1994) e o CD de despedida da banda Adios Amigos (1995). Em 2000, Marky tocou no álbum Don't Worry About Me, da carreira solo de Joey. O músico ainda gravou Day The Earth Caught Fire (2002) e Project 1950 (2003), com os Misfits. Em 2002, Marky tocou com a banda gaúcha Tequila Baby no palco do Planeta Atlântida e participou do disco produzido por Daniel Rey (ex-produtor dos Ramones), Punk Rock Até Os Ossos da TB. Desde então, Marky faz turnês com a Tequila e esta semana está em Porto Alegre para participar da gravação do CD e DVD da TB, que acontece nesta quinta-feira, dia 11 de maio, no Opinião em Porto Alegre. Em entrevista exclusiva para o Poa Rock, o baterista falou sobre a banda, os fãs e sobre seu novo projeto: um livro sobre as verdadeiras histórias dos Ramones. Ele, melhor que ninguém, pode contar as façanhas punks do grupo, já que sua jornada como Ramone durou 14 anos e rendeu 10 álbuns. [Simone Bertuzzi] A influência dos Ramones nos jovens tomou o rumo certo que você, ou os Ramones, esperavam? [Marky] Sim. Foi o que aconteceu com o público jovem, de todos ouvirem Ramones e seguiram o estilo da banda. É melhor ser um punk cabeludo do que um político corrupto. Tipo o Poison, e eles são de verdade, ao contrário dos Sex Pistols que foi uma coisa montada. Todos os Ramones ficavam infelizes de ver isso, nós achávamos esse lance uma droga. Se todos os Ramones estivessem vivos, eles ficariam felizes de ver a influência da banda nas pessoas tocando punk como Ramones, The Clash, Johnny Thunder e New York Dolls. [Simone Bertuzzi] O punk evoluiu nos anos 70 e desde lá tem ocorrido segmentações deste tipo de som. Qual a sua visão sobre o punk rock contemporâneo? [Marky] Nada mudou, as pessoas vão ser sempre as mesmas. As coisas ao nosso redor é que mudaram, como a tecnologia, os aparelhos e os computadores. Os jovens têm as mesmas ansiedades que tinham há cinqüenta anos atrás. Eles estão preocupados com o que vão fazer com as suas vidas, se eles estão indo bem na escola, se têm um bom relacionamento com os colegas e com os pais. Existe muita tensão com os namoros, com as guerras e como vai o mundo. Antes a gente tinha o Vietnã, e hoje temos o Iraque. Nada de fato mudou, apenas a tecnologia. Os jovens cantam sobre as mesmas coisas, as mesmas frustações, e o punk é sobre isso. O punk de ontem é o punk de hoje. [Simone Bertuzzi] Conhecendo a Tequila Baby e outras bandas do Brasil, o que você tem a dizer sobre a música punk brasileira? [Marky] O punk brasileiro é bom, é muito bom. As pessoas que o fazem são muito sérias no que fazem, são músicos muito engajados. Escrevem boas músicas melódicas, e eu gosto disso. [Simone Bertuzzi] No livro "Poison Heart", Dee Dee relatou alguns momentos de loucura e outros de tensão nos Ramones. Como você resume cada Ramone e o significado da banda no punk rock? [Marky] O livro Poison Heart é muito fantasioso, porque é o jeito do Dee Dee. Ele ficou na banda por alguns anos, e depois saiu. O Dee Dee era meu melhor amigo, mas o livro que eu estou escrevendo sobre os Ramones é mais verdadeiro. Eu não fantasio como o Dee Dee, meu livro conta as histórias de uma maneira real. Sobre os Ramones, o Johnny era muito controlador, controlava as pessoas. O Dee Dee era quem escrevia as músicas e era louco como se vivesse em um furacão muito intenso. O Joey era muito quieto, muito distante e muito sensato. Era isso que eu sentia sobre cada Ramone. Quando estávamos no palco, aquilo era os Ramones. Mesmo com personalidades diferentes, a música vinha em primeiro lugar. [Simone Bertuzzi] Existem boatos que ainda muito jovem, você participou de movimentos pelos direitos civis que aconteceram nos EUA na década de 60. Você acha que os jovens devem participar mais desses movimentos como você fez? [Marky] Hoje eu vejo as pessoas fazendo movimentos contra a guerra, mas não são tão grandes como no passado. As pessoas estão mais preocupadas com seus computadores, videogames, TV e etc. Elas não estão de fato preocupadas com a guerra. As coisas mudaram muito. As pessoas têm que votar nas pessoas certas, mas têm muitos que nem votam. Existem muitas marchas contra a guerra e existem marchas a favor a guerra. Na América, isto é meio a meio. Eu espero que os soldados vão para casa e as crianças também. E que a guerra acabe. [Simone Bertuzzi] Existem muitos grupos independentes em todo o mundo e existem muitas pessoas que escutam Ramones e sonham em ter uma banda de punk rock. Qual a mensagem que você deixaria para essas pessoas? [Marky] Seja original, seja criativo, não pense no dinheiro. Porque se você pensar no dinheiro primeiro, o talento não vai aparecer. Faça a música primeiro, e se você fizer ela bem, todo o resto virá. Muitas bandas de punk pensam no sucesso, na fama e no dinheiro, mas as coisas não funcionam deste jeito. Você tem que ser realista, tem que ser original. Entrevista por SIMONE BERTUZZI
ENTREVISTA CÓLERA - 16-Jun-2006 16:02
Cólera 26 anos: da ditadura à liberade. O Poa Rock bateu um papo com a lendária banda punk brasileira Cólera, que mostrou que cultiva a essência da cultura punk no som e na atitude, mesmo passadas mais de duas décadas na estrada. No final dos anos 70, quando os jovens ainda enfrentavam o silêncio por causa da ditadura militar, o Cólera nasceu mostrando sua proposta cultural através do punk rock. 'Éramos jovens sem voz e o punk rock foi um 'microfone aberto' para nos expressarmos...' Os amigos vindo de um bairro humilde de São Paulo, desde o início faziam seus sons numa linha totalmente contrária do mais adequado na época. Era o que eles chamavam música sem regras. Em 1979, fizeram os primeiros shows passando por eventos bizarros, como em escolas e até em um carnaval. A partir daí, as composições começaram a rolar, e em um ano de banda, já possuíam 36 canções próprias na bagagem. Entre 1984 e 2004, lançaram onze CDs, além de, desde os anos 80, participarem de mais de nove coletâneas. Em 2002, o Cólera resolveu relançar alguns sons: juntaram as canções clássicas e gravaram Cólera 20 Anos, um disco com o mesmo espírito punk das canções originais. Além de conquistada a liberdade de expressão e um espaço no cenário punk brasileiro, o Cólera propõe, desde seu início, uma mensagem de paz, ecologia e liberdade. Em 2006, Cólera completa 26 anos de história e está atualmente tocando com todo o gás sua turnê brasileira, e é assim, cheio de gás e atitude que o trio visita novamente Porto Alegre. Val (baixo e vocal), Pierre (bateria e backvocal) e Redson (guitarra e vocais) compõem a banda clássica do punk rock que vai tocar pelo RS neste final semana. Dia 16, sexta-feira, será a vez dos porto-alegrenses conferirem o show da Cólera junto com Pupilas Dilatas no Garagem Hermética, depois a banda segue o rumo para Ivoti e Caxias do Sul. O Poa Rock trocou algumas idéias com Redson, que além de tocar guitarra e cantar, também profere a palestra Faça Você Mesmo, dando um exemplo aos jovens músicos que estão começando. [Simone Bertuzzi] Como era ser punk em fins dos 70 no Brasil? Vocês participaram ativamente do início do movimento.. era muito complicado? [Redson] Nós tínhamos um foco muito intenso que era a ditadura militar. Éramos jovens sem voz e o punkrock foi um microfone aberto para nos expressarmos, para colocarmos nosso som em atividade pra valer! Havia bandas em vários bairros de São Paulo e o Cólera tinha convivência com a maioria delas. Um ponto que já ocorria é que desde o início, já fazíamos nosso som e letras de forma livre, mesmo com alguns padrões dentro do punk, tínhamos nossa postura sem regras. [Simone Bertuzzi] Vocês já tocaram Raul Seixas, Legião Urbana, Cazuza, Toy Dolls e U.K. Subs, mas no entanto sempre se mantiveram no underground... [Redson] Sim. Isto valeu como experiência, como bagagem. Tivemos também um bom nível de contatos com eles como sempre temos com todas as pessoas. [Simone Bertuzzi] O Cólera passou por 10 países, fazendo 56 shows logo no começo da carreira. Como surgiu a oportunidade de tocar na Europa? Esses shows abriram espaço para bandas brasileiras? [Redson]O fator que permitiu isso acontecer foi o grande nível de correspondência entre os punks do Brasil e da Europa, que possibilitou a nossa divulgação por lá e os 56 concertos em 10 países.Além de ser uma grande realização para o Cólera, este fato quebrou as barreiras para o som nacional lá fora. Bandas como RDP, Sepultura, Ação Direta, dentre centenas de outras, fazem tours desde a nossa primeira ida. [Simone Bertuzzi] Em 26 anos de história, o Cólera possui onze álbuns e já participou de várias coletâneas brasileiras e de outros países. Vocês irão relançar o álbum 1.9.9.2. Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico lançado originalmente em 1987. O que os fãs podem esperar desta nova versão? [Redson] Sim, já está no projeto deste ano o Mundo Mecânico... Ele virá com o EP É natal!? Como faixa bônus. [Simone Bertuzzi] O Cólera está com o som Fuck Iurd na trilha sonora do filme A Concepção, fato raro de acontecer com as bandas punks. Como surgiu essa proposta? Como o som rola no longa-metragem? [Redson] O filme, de José Belmonte, tem uma "concepção" clara de se reinventar e o Cólera tem esta linha bem definida. A música aparece num momento bem agitado da obra. Isso sempre ajuda! heheheh. [Simone Bertuzzi] Qual o segredo do Cólera para estar com 26 anos de estrada e fazer punk rock com o mesmo gás de quando começaram? [Redson] Gostar muito do que faz! [Simone Bertuzzi] Yeaaahh!!! [Simone Bertuzzi] Tocando no Porão do Rock no começo deste mês e lembrando dos shows nas décadas de 70 e 80, qual a diferença entre o movimento punk de antes e de agora? [Redson] Antes éramos mais carentes, hoje temos mais recursos. [Simone Bertuzzi] Realizando música com atividades sociais pelas comunidades de São Paulo, qual a proposta da sua palestra Faça Você Mesmo? [Redson] Bem, acredito que o que já fizemos com o Cólera é de grandiosa importância para a cultura jovem do Brasil. É isso que mostro na palestra, faça você mesmo e dê sua contribuição deixando também sua marca na história. [Simone Bertuzzi] Normalmente e ainda mais naqueles fins de 70, início dos anos 80, o movimento punk estava ligado a temas mais barra pesada, niilistas, e vocês apareceram falando de amor, paz.. como foi isso? [Redson] Bem, nossa postura livre nos permite falar e tocar o que sentirmos. Acho que nossos temas são muito atuais, mesmo aqueles feitos em 1980. [Simone Bertuzzi] Como vai ser o show do dia 16 no Garagem aqui em Porto Alegre? [Redson] Com muito tesão, com repertório de novas e antigas, pegando um pouco de cada álbum. ENTREVISTA POR SIMONE BERTUZZI
ENTREVISTA JÚPITER MAÇÃ [23 DE MAIO DE 2006]
Flávio Basso, antigo TNT e Cascavelletes, hoje o figura psicodélico, Júpiter Maçã, contou ao Poa Rock sobre as fases do rock e do estilo da cena na capital gaúcha nos últimos 10 anos. O músico falou ainda sobre sua carreira, o clipe 'A Menina Super Brasil', o filme que está sendo feito sobre sua vida e a participação dos amigos Frank Jorge e Alexandre Barea no seu show na Segunda Maluca do último dia 22. Eu não fui exatamente o precursor do mod, eu interagi no movimento e eu me tornei quase um ícone quando eu assumi essa identidade mod-psicodélica, meu mod sempre foi ligado ao psicodélico. Eu usava uns terninhos e gravatinhas, misturados com algumas roupas de ceda coloridas e muitas coisas de brechós. Isso aconteceu de 1994 à 1999. Agora, este novo movimento mod que está acontecendo é a revivida do neo-mod, não é o primeiro mod do The Who dos anos 60, nem o movimento Manchester paralelo com o nosso em Porto Alegre, que era mais fiel a origem (pouco abrigo Adidas e muito mais brechó). O mod de agora é o pós-mod, onde as pessoas revivem os padrões do filme 'A Hard Days Night'. Eu não sou mais um mod. ¿ declarou Júpiter entre tantas outras falas na entrevista dada ao Poa Rock. Flávio se assumiu como Júpiter depois de sua saída dos Cascavelletes. Desde lá, Maçã já possui os CDs A Sétima Efervescência (1996), Plastic Soda (1999), o média Apartment Jazz, um selo europeu, o novo álbum Uma Tarde na Fruteira e o novo projeto: um filme que documentará o universo do artista. [Simone Bertuzzi] Além de músico e compositor, você é cineasta e já fez um trabalho com cinema. Você poderia falar sobre o novo filme que você está fazendo? Ele é psicodélico? Sobre o que ele retrata? [Júpiter] Como cineasta eu tenho um único filme, que é o Apartment Jazz, na época em que eu queria fazer tudo ao mesmo tempo: um disco em quatro canais, divulgar o trabalho da Trama para o Brasil (porque assim que foi lançado aqui eu fui pra Londres) e eu queria fazer um longa. Eu comecei a pensar também em peças de teatro e coisas assim, e quando eu vi, saiu este media metragem que é o Apartment Jazz. Como cineasta, diretor e co-diretor de fotografia é meu único trabalho. Agora o Leo Bomfim está bolando um filme onde eu não vou me preocupar com nada, vou ser apenas o Júpiter. [Simone Bertuzzi] Mas o que o filme retrata? [Júpiter] Acho que o Leo vai tentar pegar o universo Jupteriano, o meu universo. A idéia é essa. Ele vai tentar captar a minha essência, como artista, cantor, compositor e pessoa. E eu acho que vai ter um toque documental sobre a minha vida e carreira. [Simone Bertuzzi] Como está a produção do clipe Menina Super Brasil? [Júpiter] O Leo que está fazendo o roteiro do clipe, e ele quer atingir um certo grau de sofisticação através da simplicidade. Achei interessante. E vai ser a mesma coisa do filme, não vou me meter na fotografia e nem na direção, eu quero atuar e fazer minha parte como Júpiter Maçã. [Simone Bertuzzi] Você tocou com o TNT e com os Cascavelletes. Vocês ainda fazem alguns trabalhos juntos? Como vai ser a participação de Alexandre Barea e Frank Jorge no show da Segunda Maluca? [Júpiter] Eu escrevo com o Charles do TNT eventualmente e ele acaba gravando algumas coisas nossas. O Charles está convidado para o show, mas ele está em turnê. Eu não tenho encontrado os Cascavelletes, mas vai ter um reencontro na Segunda Maluca Então vou ver o Frank Jorge e o Barea. Vamos tocar umas três ou quatro músicas juntos. Vai ser bacana. [Simone Bertuzzi] O seu site está sendo produzido, como ele será? Os fãs poderão baixar singles? [Júpiter] Sim, vai ter a parte dos downloads e outra com fotografias e tal. Vai ser um site básico, que até demorou para sair. O Leo está me dando uma força neste segmento também. Vai ter uma sessão interessante dos tablóides, onde vamos colocar aquelas coisas bobas como algumas histórias bizarras. Teve uma vez que estávamos no hotel, eu a Tita e os rapazes. Eu tinha o meu quarto, a Tita tinha o dela e os guris estavam em um outro quarto. Queria conversar e resolvi passar no quarto dos guris. Ficamos conversando e tal e eu peguei no sono, acordei no outro dia com o edredon enrolado no pescoço. (risos) [Simone Bertuzzi] Como é sua relação com a banda? [Júpiter] Embora seja uma carreira solo, eu gosto muito da banda, gosto de trabalhar com eles. Gosto de ficar com eles, trabalhamos como um grupo. Acabo sendo o líder musical e filosófico e acabo lançando as propostas, mas eu ouço a opinião dos caras e da Tita. [Simone Bertuzzi] E na hora da composição das músicas, todo mundo participa ou só você compõe? [Júpiter] Não, a composição acaba sendo exclusiva minha. Eventualmente tem um som ou outro em parceria. [Simone Bertuzzi] Como surgiu a parceria com a gravadora espanhola Elefant? [Júpiter] Eu ainda estava com a Trama e já havia uma paquera com a Elefant, mas eu tinha um contrato assinado e eu não desrespeitei o que dizia no contrato. Então, depois de um tempo acabei fechando com a Elefant, e íamos lançar um disco novo que se chamaria O Número Quatro e, teria duas capas: O Número Quatro ou Uma Tarde na Fruteira. Então, os Los Hermanos lançaram O Número Quatro, embora eu já tivesse este título talvez antes deles. O disco ficou só Uma Tarde na Fruteira, ou como seria em espanhol Una Tarde en la Fruteira. O CD sai simultâneo no Brasil, claro. [Simone Bertuzzi] Mas a gravadora te descobriu e entrou em contato com você, foi isso? [Júpiter] Basicamente foi isso. Acho que foi isso. Eu acho que foi em algum festival na França que eles viram meu trabalho. [Simone Bertuzzi] O Uma Tarde na Fruteira é uma continuação do A Sétima Efervescência? [Júpiter] É uma soma do A Sétima Efervescência, Plastic Soda e Hiscivilization. A única diferença é que ele é todo em português e, isto liga com o A Sétima Efervescência, só que as sonoridades que aparecem em Plastic e em Hiscivilization, aparece no Uma Tarde na fruteira. [Simone Bertuzzi] É verdade que tu estás com alguns shows previstos fora do país? [Júpiter] É, eu tenho que divulgar meu trabalho lá. Eu acho que a minha obriigação é estar por perto, tanto na Europa quanto no Brasil. Eu tenho que estar presente onde o disco está. [Simone Bertuzzi] Na década de 90, o modismo estourou em Porto Alegre, que foi na mesma época em que você lançou o disco A Sétima Efervescência em 1996. Você acha que foi o precursor do Mod-ismo, ou foi uma mera coincidência? [Júpiter] Bom, eu sou um cara precoce. Com treze anos eu me liguei em Beatles, que não são mods, são uma espécie de ítalo-francesa. O filme A Hard Days Nigths traduz bem isso, era um visual mais preto e tal. Teve um cara que disse ser mod porque tinha três ternos pretos. Daí eu pensei, será que ele está sendo irônico? Não, acho que ele estava falando sério mesmo, porque todos os Beatles estavam de preto e usando gravatinhas. Mas isso definivamente não é mod. Com 19 anos, aconteceu o TNT, que era uma coisa meio Clash, Pistols, que era bem interessante, mas a gente também usava alguns terninhos e essas coisas. E também nos Cascavalletes, na capa de um EP, estamos todos de gravatinhas. Na minha carreira solo, antes de me tornar um mod, por sempre amar a música folk, eu fui folk por uns seis meses. Isso foi depois que eu saí dos Cascavelletes. Era gaitinha de boca, estilo Bob Dylan, e violão, eu sozinho. Então, eu conheci a cena neo-mod, que estava se formando em Porto Alegre e que era paralela a cena de Manchester. Só que os neo-mods de lá, usavam abrigos Adidas e aquela coisa toda. Aqui eram mais ortodoxos, era veludo, gravata e coisas coloridas, nada de roupa preta e terninho preto. Acho que fui um dos primeiros caras que lançou um álbum significativo e expressivo como o álbum A Sétima Efervescência, que mostrou para alguns caras mais jovens qual seria o segmento certo. Neste ponto sim, eu sou uma grande influência. Hoje eu não sou mais um mod, não me considero um. Não sou nem um neo-mod e nem um pós-mod. [Simone Bertuzzi] Júpiter Maçã é seu nome artístico. O que o Júpiter faz que o Flávio Basso não faria? [Júpiter] Espere aí (Júpiter tomou um drink e pensou...) Acho que o Júpiter faz que o Flávio não faz... é usar calça de veludos sem cuecas! (risos) Entrevista por SIMONE BERTUZZI ______________________________________________
ENTREVISTA PROGRAMA GARAGEM ¿ junho de 2006
Entrevistado : Rodrigo Vidal Programa Garagem Mão na Massa Núcleo de Criação e Arte Núcleo de Teledramaturgia [Simone Bertuzzi] Como surgiu a idéia de fazer o programa? [Rodrigo] O programa Garagem surgiu pelas mãos do Luis Gustavo "Bivis", em 2004. Nessa época, eu já estava em alguns projetos ligados a produção cultural, com meus dois "braços direitos", o Marco Antônio "Johnny" e o Carlos Eduardo "Paraíba", hoje produtores do Garagem. Foram eles que me apresentaram o Bivis, (mesmo tendo estudado na mesma faculdade que eu, era alguém que eu só conhecia de vista). Quando a UlbraTV começou seus trabalhos, ainda em fase "piloto", o Garagem, que era produzido pelo Bivis e pelo Otto Branco, hoje baixista da Tequila Baby, era exibido no canal comunitário (POATV) da Net Porto Alegre. Assim que se encerrou a fase experimental da UlbraTV, que correspondeu aos nossos dois primeiros meses no ar, nós começamos a tratar com o Bivis, para trazer o Garagem para dentro da UlbraTV. Em fevereiro de 2005, gravamos o primeiro piloto dentro da emissora. Em abril do mesmo ano, estávamos colocando no ar o primeiro programa. [Simone Bertuzzi] Como foi feita a escolha dos apresentadores? [Rodrigo] Quando decidimos trazer o Garagem para a UlbraTV, já sabíamos que do formato que ele tinha na POATV deveria ser mudado. Um dos pontos mais claros desde o princípio era a necessidade de uma apresentadora para acompanhar e contrapor o Bivis. Fizemos alguns testes, com pessoas que nós conhecíamos, e a escolhida foi a Julia Barth. Nossos critérios foram simples: desenvoltura na frente da câmera (o que para a Julia era facílimo, já que a nossa menina é atriz desde o berço e cantora, com os Alcalóides e com participações em diversos outros grupos), afinidade com o modo de trabalho da equipe e disposição. [Simone Bertuzzi] O programa apresenta muitas entrevistas e shows com bandas ao vivo, como o pessoal que toca pode participar do Garagem? [Rodrigo] É simples: mandem um e-mail para garagem@ulbratv.com.br ou deixem o material direto na sede da emissora, que fica na Rua Coronel Vicente, 281, 6° andar, Centro de Porto Alegre. [Simone Bertuzzi] Nesse um ano de programa, teve alguma edição que mais marcou? [Rodrigo] Difícil dizer. O primeiro de todos os programas teve uma banda de São Paulo com 10 anos de estrada, que era a Nitrominds. De lá pra cá, todas as edições nos marcaram de alguma forma. Há pouco tempo entrevistamos o pessoal do Detonautas, e um pouco depois assassinaram o Rodrigo Netto. Isso choca, claro, porque nós conhecemos eles e toda a banda era extremamente simpática, simples, gente boa... [Simone Bertuzzi] Além das bandas, o que mais o programa aborda? [Rodrigo] Cultura jovem e independente de modo geral. Dentro disso, temos espaço para abordar praticamente qualquer coisa deste universo. [Simone Bertuzzi] Como rola a produção do programa? [Rodrigo] É bem mais complexo do que pode parecer. Eu assino a direção, que trata da orientação editorial, formato e acabamento. O Bivis apresenta e ajuda no marketing. Temos ainda um produtor que trabalha mais focado no marketing e outro que trabalha diretamente comigo, na produção do programa. A Julia apresenta, faz matérias e participa bastante do nosso planejamento e da pauta de cada semana. Ah, e tem a estagiária, que é a Lamara e faz de tudo um pouco. [Simone Bertuzzi] Com apenas 20 minutos de duração por programa, o Garagem tem um considerável público, não tem nenhum projeto para aumentar o tempo e o espaço do Garagem dentro da programação da TV? [Rodrigo] Nossos vinte minutos já demandam um trabalho enorme, mas na verdade são uma orientação geral da emissora. Acredito que isso possa ser mudado, mas temos outras mudanças que estão sendo preparadas para os nossos 20 minutos, que só pra cair no lugar comum, "são uma eternidade". (risos) [Simone Bertuzzi] Como vocês vêem o crescimento do número de bandas aqui no RS? [Rodrigo] Não creio que seja uma questão de crescimento. O RS tem fartura na oferta. O que acontece é que esta cena está lentamente se profissionalizando, tanto pelo reconhecimento da mídia do centro do país quanto pelo surgimento de outros meios de divulgação, em especial a internet. De qualquer forma, este crescimento é resultado de um processo, que ainda está longe de acabar. Temos qualidades e características que permitem que o Estado seja digamos assim "auto-sustentável", já que o público daqui dá cada vez mais atenção à essas bandas. [Simone Bertuzzi] Qual o perfil da maioria do público que assite o garagem? Emo, Punk, Mod.... [Rodrigo] Queremos que TODO O MUNDO assista o Garagem (mais risos). [Simone Bertuzzi] O que o Garagem está aprontando para a segunda metade deste ano? [Rodrigo] Já fechamos o apoio de um Festival de Bandas Iniciantes, o que faz bastante sentido, já que este Universo é bastante interessante para nós. A cara do programa vai receber uma reformulação profunda na estrutura, mas vamos manter nossos valores. Tem mais coisa por aí, a medida que a gente for lançando, avisamos o pessoal do POAROCK, podem contar. ____________________________________________________________________
Quincy Store e música eletrônica: andando juntas
22-May-2006 A loja Quincy Store surgiu em Porto Alegre em 1998, ano em que a música eletrônica começou a se popularizar na cidade. Sendo parceira da Fulltronic desde o seu surgimento e, com o decorrer do tempo, apoiando o nosso estilo de música favorito, a QS já está no coração dos adoradores do estilo. Continuando o especial Lojas eletrônicas, o Poa Beat conversou com a Ana Paula, uma das sócias da Quincy Store, que também é uma fã dos beats de Poa. [Simone Bertuzzi] A loja faz parte do mundo da música eletrônica? [Ana] Eu acho que a loja faz parte porque já temos a Quincy há oito anos. O nosso início como loja foi bem na época que a música eletrônica surgiu aqui em Porto Alegre. Então a gente começou apoiando as primeiras festas do Fabrício Peçanha, na época do lançamento do seu primeiro CD em 1998 no Garagem Hermética. Faz bastante tempo! Junto com a música eletrônica, a loja foi crescendo. As duas foram se acompanhando. [Simone Bertuzzi] Então, quando a Quincy foi criada, já havia alguma idéia de relacionar a moda ao tipo de som? [Ana] Não que inicialmente a gente tivesse essa idéia, mas a proposta da loja era apresentar coisas novas e idéias diferentes. A música eletrônica estava começando a ficar mais forte na cena ainda bem underground daqui, então achamos que tinha a ver, que seria legal termos a Quincy ligada a uma coisa que estava começando. [Simone Bertuzzi] A loja já sofreu mudanças para atingir algum público específico? [Ana] A mudança que a loja sofreu, tanto de layout quanto de logomarca, não foi para atingir um público específico, mas sim para se manter atualizada e se manter acompanhando o movimento das coisas. Apesar de termos uma imagem inovadora, antes tínhamos um layout quadrado demais, e percebemos que tínhamos a necessidade de deixar nossa cara da mesma forma como a gente pensava para as duas andarem juntas. [Simone Bertuzzi] Nos dias de hoje, a loja possui parceria com festas? Se possui, quais festas? [Ana] Hoje a loja possui parceria com a Balonê, com um público mais diversificado. De música eletrônica, a gente tem parceria com a Fulltronic, já há bastante tempo. Em abril, acompanhamos uma festa do Lounge, com o DJ D.A.V.E. The Drummer, mas não foi uma parceria fixa. Tem festas que a gente vai eventualmente fechando parceria. [Simone Bertuzzi] Para vocês, dentro da Quincy, o que está na moda para se usar nas festas de música eletrônica? [Ana] O que a gente acha mais aconselhado para se usar nas festas é a princípio uma roupa confortável. Dentro das marcas que a gente trabalha, vimos que as mais procuradas pelo pessoal que freqüenta balada eletrônica, são as roupas da Cavalera, da Zapping e do Alexandre H., que eu acho que unem um estilo com peças confortáveis. Outra dica, são as coleções da Melissa, que está com um lançamento muito bacana de tênis e sandálias baixinhas muito legais, que acabam sendo calçados estilosos e confortáveis para o pessoal usar nas noites. Ficha Quincy Store Donas: Ana Paula e Carolina Azevedo Endereço: Rua 24 de Outubro, 506 ¿ Moinhos de Vento ¿ Porto Alegre/RS Site: http://www.quincystore.com.br E-mail: quincy@quincystore.com.br Telefone: 51 3222.6300 ENTREVISTA POR SIMONE BERTUZZI AO SITE POA BEAT
[ENTREVISTA ALLAN SIEBER ]
21-Jun-2006 18:17 Chegando a Porto Alegre nesta quinta-feira, Allan Sieber, um dos responsáveis pela criação da nova publicação de quadrinhos, Revista F, falou sobre sua carreira, o plano de virar o Mister M do desenho e a nova edição da F. Com quase 14 anos de carreira, Allan já possui uma penca de quadrinhos publicados, além de produzir diversos curta-metragens de sucesso no universo das animações. Trabalhou em Porto Alegre até 1999, quando se mudou para o Rio de Janeiro para montar a produtora de animação Toscographics. Depois dessa mudança, Sieber começou os primeiros curtas com animações no Brasil, como o premiado Deus é Pai, o Os idiotas mesmo, o Petrúcio Felker e a superprodução Santa de Casa. Voltando aos quadrinhos, que ele nunca deixou de lado, Allan resolveu juntar seus melhores desenhos e roteiros no site www.tonto.com.br e, lançou (em 2004) o livro Preto e Branco. Mais tarde, novas tiras de quadrinhos vieram numa super-compilação do autor, que foi o livro de 104 páginas Vida de Estagiário. Em 2003, Allan conseguiu realizar um desejo que existia desde 1999: criou junto com Arnaldo Branco uma das melhores e mais incomuns revistas de humor do Brasil, Revista F, onde foram parar os bem humorados e criativos quadrinhos dos amigos arteiros. Hoje, a Revista F (www.fhumor.com.br), com edição de Allan e seus parceiro Leonardo e Arnaldo Branco, está com suas páginas de humor renovadas, com mais conteúdo e também com a nova editora Conrad. Além disso, a F conta com reforços de peso, como Fabio Zimbres, Langer , Schiavon, Jaca, Chiquinha e Rafael Sica. Muito bem equipada e com quadrinhos irônicos sobre a Copa do Mundo e seus jogadores, a quarta edição da F será lançada em Porto Alegre nesta quinta-feira, 22 de maio, acompanhada das bandas Poliéster, Vum-Vum e Apanhador Só, no Dr. Jekyll. Quaase chegando no sua terra natal, Allan Sieber contou um pouco sobre seus livros, filmes, projetos e de como ele consegue fazer toda essa arte apenas com um papel e lápis na mão. [Simone Bertuzzi] Como a Revista F surgiu? [Allan] Desde que me mudei para o Rio , em 99, eu falava com o Leo - chargista do Extra - sobre fazermos uma revista em quadrinhos de humor, algo que não existe mais nas bancas. Em 2003 conhecemos o Arnaldo Branco e resolvemos unir as forças para fazer o primeiro número da F, que saiu no final de 2004. [Simone Bertuzzi] Como você começou a fazer quadrinhos? [Allan] Eu comecei em 92, fazendo fanzines. Era o melhor jeito de publicar, ou, o único: se autopublicar. [Simone Bertuzzi] Novos cartunistas tem espaço na revista? [Allan] Recebemos bastante material, mas ainda temos poucas páginas, então fica difícil colocar mais gente além de nós 3 e mais os colaboradores fixos. Mas ao longo das 4 primeiras edições já efetivamos a Chiquinha, uma gaúcha que publica na Mad, e o Rafael Sica, outro gaucho q mora em SP e publica no Folhateen (Folha de S. Paulo). Somos muito fãs do trabalho de ambos. [Simone Bertuzzi] Você acha que os cartunistas são bem valorizados no Brasil? Se não, o que faltaria para ser justo com o pessoal que atua nos desenhos? [Allan] Cartunista ainda é muito mal pago e o espaço para desenhistas diminui cada vez mais na imprensa e nas revistas. Eu, pessoalmente, culpo os diretores de arte que geralmente se ficarem de quatro não levantam mais. [Simone Bertuzzi] O curta Deus é Pai foi o que te animou a montar a produtora de animação Toscographics? [Allan] A repercussão dele foi o que fez nascer a Toscographics aqui no Rio. Na época, o curta causou um certo furor e eu aproveitei isso para montar junto com a Denise Garcia ( diretora do documentário Sou Feia Mas tô na Moda) a Toscographics. [Simone Bertuzzi] Você pretende fazer mais álbuns como o Preto no Branco? [Allan] Até o fim desse ano pretendo entregar para a Conrad meu novo livro, Desenhando com o lado Externo do Cérebro, uma espécie de manual de desenho tosco, algo assim. Serei o Mister M dos cartunistas, entregando todos os truques da profissão. [Simone Bertuzzi] Fale sobre o livro Vida de Estagiário... [Allan] O livro foi publicado em 2005 e é uma coletânea das tiras que saem desde 2000 no Folhateen. Quando eu estava fazendo o livro tive a idéia de pedir depoimentos reais de estagiários, e essas pequenas tragédias permeiam os quadrinhos do livro. [Simone Bertuzzi]Quais são suas principais influências nos quadrinhos? [Allan] Fabio Zimbres, Crumb, C.C. Beck, Angeli e ...Bem, tem muita gente. [Simone Bertuzzi] Quais seus grandes ídolos dentro dos artistas que trabalham com desenho, ilustrações e design? [Allan] MZK, Schiavon, Fabio Zimbres, Kaz, Arnaldo Branco, Kamagurka, nossa, tem muita gente. [Simone Bertuzzi] Eu li que você escuta jazz enquanto desenha. E que você só escuta o jazz feito até 1965, por quê? Esse é o único tipo de som que te inspira? [Allan] Na verdade eu ouço de tudo, de Gainsbourg a rap, sou bem eclético, mas jazz é uma coisa que ouço com mais freqüência. Acho que o jazz produzido nos anos 50 e 60 é uma das coisas mais assombrosas já concebidas pela raça humana. Por outro lado eu odeio os músicos, acho q é a raça mais superestimada do mundo, então prefiro ouvir os que já estão mortos. [Simone Bertuzzi] Você mesmo faz o roteiro de suas histórias? [Allan] É, eu mesmo os faço. [Simone Bertuzzi] Com a nova editora Conrad, o que a quarta edição da Revista F traz de diferente das demais? [Allan] Ela ficou com mais páginas e temos uma estrutura bem melhor para trabalharmos. Além de periodicidade e distribuição asseguradas. Sem dúvidas as coisas melhoraram pro lado da F. SIMONE BERTUZZI - REDAÇÃO POA ROCK
ENTREVISTA CULPADOS INOCENTES - 06-Jun-2006 17:53
Em entrevista ao Poa Rock, a Culpados Inocentes falou sobre sua história, sobre o famigerado rótulo emo e se manifestou a respeito de comparações por terem as mesmas influências de bandas neo-punk. Misturando rock de feitio clássico com pegada de harcore californiado e "refrões chicles", a banda marca presença na cena gaúcha desde 1999. Conhecidos no mundo underground de Porto Alegre, a Culpados tem uma bagagem grande de shows na capital e pelo interior do estado. Com mudanças na formação, hoje a turma inocente está renovada pelos integrantes Gabriel Tomazzoni (Vocal e Guitarra), Edson Fernandes (Guitarra e Backing Vocal), Gabriel Xerxenesky (Baixo e Backing Vocal) e Rafael Serrati (Bateria). Estabilizados no mercado, a CI conquistou ainda mais o público em 2004, com seu primeiro Cd, Uma Razão Para Continuar. A partir daí, novos fãs surgiram e fizeram com que a banda fosse parar em festivais e programas de TV. Essa engrenada dos guris foi o que motivou o clipe de Chucky e inspirou novas canções, como o recente single O Que Eu Nunca Quis Falar, que está sendo divulgado pela banda como uma prévia do que ainda está por vir. A Culpados agora se prepara para fazer tremer o chão do Garagem Hermética no dia 18 de junho, junto com a banda Código Moral. Gabriel Tomazzoni bateu um papo com o Poa Rock, contando um pouco sobre o que passou e o que a Culpados anda aprontando... [Simone Bertuzzi] Por que Culpados Inocentes? [Gabriel] Na verdade, a idéia do nome veio da música "Culpado ou Inocente", que está no Cd oficial da Culpados. Como fez um trocadilho legal, e achamos que também seria um nome de impacto, polêmico, ficou assim. Quem criou esse nome foi o Ed (guitarrista). [Simone Bertuzzi] Como as músicas são feitas? [Gabriel] Eu escrevi as 14 faixas do Cd da banda, e também o single que estamos divulgando desde abril. Fiz tudo: letras, melodias e instrumental. Mas agora o Rato Loko Delmuro (baixista) está compondo bastante, tem músicas prontas que vão aparecer no próximo álbum da Culpados, até porque ele sempre me ajudou a arranjar os sons da banda. E não existe exatamente um crit*rio para surgimento das músicas, pois como elas são simplesmente sinceras, surgem a qualquer momento, em qualquer lugar. [Simone Bertuzzi] Qual o segredo da música Chucky? [Gabriel] Particularmente, acho que a nossa juventude está muito perdida nesses nossos tempos, sente um vazio existencial que n*o sabe muitas vezes explicar. Coisas como a pressão dos tempos modernos, ter que escolher uma profissão aos 16 anos, que não existiam há décadas atrás, vão contribuindo para esse caos. Então uma música que aborda de forma tão direta isso, todo esse sentimento de que já herdamos um mundo tão errado, bate fundo no peito e na alma de tanta gente. Acho que conheço 50 bandas que tocam cover de Chucky nos shows, ehehe. Realmente muitas pessoas se identificaram com essa letra, não é brincadeira... [Simone Bertuzzi] Quem teve a idéia de montar a banda? [Gabriel] Eu sou o cara que teve a idéia da banda, a fórmula letras em português + hardcore melódico, quando nem existia o rótulo "emo", hoje tãoo saturado em nossos ouvidos ... Fiz umas vinte músicas, entre elas Chucky e outras que est*o no Cd da Culpados, e ensinei o Rato a tocar violão e baixo, daí ficamos meio ano procurando gente antes da banda engrenar. Isso era final de 1998, eu tinha 18 anos. [Simone Bertuzzi] Qual a principal influência da Culpados? [Gabriel] Com certeza, bandas como NOFX, No Use For A Name, Face To Face, etc., são nossas principais influências intrumentalmente falando. [Simone Bertuzzi] O que as letras da Culpados querem transmitir para o público? [Gabriel] Quanto às letras, falo sobre coisas que essas bandas falam também, mas tenho outras referências. Li livros revolucionários como 1984, Admirável Mundo Novo, On the road... O Apanhador no Campo de Centeio, principalmente, que me inspirou a escrever a música Chucky. São letras que falam com muita emoção de momentos que realmente foram vividos, são sobre sentimentos que estão sempre presentes, apesar de cotidianos não podemos fugir... [Simone Bertuzzi] Vocês acham que as bandas independentes, como a Culpados, têm um bom espaço no Rio Grande do Sul? O que falta no mercado do rock gaúcho? [Gabriel] Acho que existem poucos lugares bons pra bandas independentes tocarem, principalmente em Porto Alegre, onde as casas são prec*rias. Nas rádios então, nem se fala. A gente sabe que tem bandas tocando ali que não são lá muito boas, né, mas que estão pagando o famosíssimo "jabá". Infelizmente hoje funciona assim: são quinze mesmas músicas que tocam 30 vezes por dia cada. Um clube fechado. Mas sabemos o caminho que devemos trilhar! [Simone Bertuzzi] Depois de alguns anos de carreira, o som da Culpados atingiu o ideal? [Gabriel] Quando eu olho pra trás e lembro do moleque que ouvia Ramones e sonhava que um dia teria uma banda de rock, e depois vejo sete anos de estrada com a Culpados, um álbum gravado, alguns hinos do hardcore gaúcho, muitos e muitos shows com diversas bandas grandes do país, não tenho dúvida que tudo valeu a pena. Mas não dá pra se acomodar, temos muito chão pela frente! [Simone Bertuzzi] Fale sobre o novo single O Que Eu Nunca Quis Falar... [Gabriel] A música fala sobre aquele momento de um relacionamento em que você reconhece que agiu errado, que falou coisas que não devia numa hora de crise, mas que quer mostrar que aprendeu com isso, apesar de tudo. Algo como "daqui pra frente vai ser diferente, eu juro". [Simone Bertuzzi] Vocês pretendem lançar logo o sucessor de Uma Razão Para Continuar? [Gabriel] O mais urgente possível. Faremos tudo pra sair em 2006 ainda. Até porque já vai fazer dois anos do lançamento do primeiro álbum, e temos muito, mas muito material novo pronto. Mas também terão sons antigos, que merecem registro no segundo Cd! [Simone Bertuzzi] Algumas pessoas definem a banda como um novo punk, outras como emo e tem pessoas que acham que a Culpados tem uma pitada de CPM 22. Qual a opinião de vocês sobre isso? [Gabriel] Sinceramente, não dá pra se preocupar muito com rótulos. Claro que a gente tem noção que o nosso som não foge muito dessas referências citadas, mas agora virou moda dizer que tudo é emo. Qualquer coisa que falar de sentimento, pronto, é emo. Acho que realmente a banda faz um punkrock moderno, um hardcore melódico mesmo, com duas guitarras, trabalhado e tal. Mas quanto a dizer que somos meio CPM 22, não dá pra engolir... Nada contra os caras, gosto do som e da banda, mas temos nossa identidade. Até porque formamos a banda em 1999, e eles estouraram nacionalmente em 2001, já tínhamos os sons prontos quando conhecemos eles, não fomos influenciados por eles. Somos tão antigos quanto, as pessoas acham parecido porque somos muito influenciados pelas mesmas bandas. Mas o importante é que muita gente gosta e acompanha o trabalho da Culpados Inocentes, independente de estilo. Valeu !!! ENTREVISTA POR SIMONE BERTUZZI
ENTREVISTA DEAD FISH - 20-Mar-2006 14:32
Domingo, dia 19 de março. Apesar da chuva, muito calor em Porto Alegre. Para aqueles que compareceram ao Cine Theatro Ipiranga, a temperatura ficou ainda mais elevada: o quinteto capixaba Dead Fish voltou a capital gaúcha para um show ultraconcorrido. Às vésperas de lançar seu novo disco de estúdio ¿ Um homem só, que vai ter a responsabilidade de suceder o aclamado Zero e Um ¿ o grupo deu uma prévia do álbum, tocando algumas canções novas e, é claro, antigos sucessos que não podem ficar de fora. Antes, porém, o público pôde conferir a performance de mais três bandas ¿ sendo duas da casa. A primeira a entrar no palco foi a Abril. O set durou apenas cerca de 20 minutos, mas foi bem recebido pela galera. Com três discos na bagagem e quase veterana na cena porto-alegrense, a Atrack veio logo a seguir, com um repertório bastante conhecido dos fãs de HC. A experiência de palco e as turnês pelo Brasil afora ¿ como a badalada Vans Zona Punk Tour, realizada no ano passado -, fizeram com que o grupo levasse a galera ao delírio, seja com sons mais antigos, seja com músicas pinçadas de seu mais recente álbum, Observando.... A terceira banda da noite foi o Display, de Santa Catarina. Calcado nas canções do disco Lados Opostos, lançado no ano passado, o grupo apresentou um som rápido e pesado, sem muito abafamento nas guitarras, e também caiu nas graças do público. Depois de mais uma pequena pausa, entra em cena o Dead Fish. Logo de cara, o vocalista Rodrigo, já acostumado com a enorme quantidade de moshs e stage-divings nos shows da banda, previne: ¿Tomem cuidado com os zum-zuns! Um tem que tomar conta do outro aqui¿. O set, como não poderia deixar de ser, foi baseado no mais recente CD, Zero e Um, cujas músicas estavam na ponta da língua da grande maioria. Destaque para A urgência (sem dúvida, uma das melhores composições do harcore brasileiro), Tão iguais, Bem-vindo ao clube e a faixa-título. O hit Você não poderia ficar de fora, e foi cantado em coro pela galera, que ainda tentava se recuperar dos 20 e poucos segundos da porrada Senhor, seu troco. O repertório ainda incluiu clássicas, como Noite, Sonho médio, Proprietários do Terceiro Mundo e quatro faixas do disco que está por sair do forno, como Destruir tudo. Foi apenas um aperitivo, mas já deu para perceber que o Dead Fish não deverá decepcionar em seu próximo trabalho. Apesar do cansaço, o guitarrista Philippe foi extremamente solícito e trocou algumas palavras com a reportagem do Poa Rock logo depois do show. Ele falou sobre o novo álbum (as gravações devem ser concluídas esta semana e Um homem só está previsto para sair em maio), do salto que deram na carreira desde o lançamento de Zero e Um e de outros assuntos. Confira o papo a seguir: [*] Vocês estão por lançar um disco novo, Um homem só. O estilo dele segue o de Zero e Um? [Philippe] Não, não. Teve uma mudança. Há afinações diferentes, as músicas estão mais pesadas... O disco tem levadas diferentes, não é inteiro de hardocore. Não é como o Sonho Médio (segundo álbum da banda, de 1999), que é todo HC. Tem faixas rápidas, mas também tem outras que são mais rock¿n¿roll. [*] Como tu vês a evolução da banda de três anos para cá? [Philippe],/b> Comparando tudo o que nós passamos desde o início, ela é muito grande. O negócio era bem underground, a gente fazia tudo, carregava o equipamento e organizava o show, como a maioria das bandas... Hoje temos uma gravadora que nos dá estrutura, uma distribuição melhor. Dá para trabalhar mais a parte de videoclipes, rádio. [*] O João Gordo vive sendo acusado pelos punks de traidor do movimento. Acontece algo parecido com o Dead Fish hoje? O pessoal das antigas chia pelo fato de vocês terem uma exposição maior hoje? [Philippe] Esse atrito é natural. Acontece que alguns conhecem a banda a partir de determinado momento e não percebem que essa evolução aconteceu aos poucos, de forma natural. Aí, acham que a gente tem que ficar o resto da vida fazendo a mesma coisa... [*] Quase no final do show, o Rodrigo disse que tem o melhor emprego do mundo. Pouco antes, vocês tocaram Sonho médio. Dá para dizer que vocês conseguiram ir além desse sonho? [Philippe] (Risos) Cara, o lance é que a gente está fazendo o que mais gosta. Se estamos nessa há tanto tempo, é pelo amor ao que fazemos. Todo mundo tinha seus empregos normais e seguia na banda porque acreditava na parada. Então, dá para dizer que hoje estamos colhendo os frutos de 13 anos de insistência. [*] Voltando ao disco novo, além das mudanças musicais, há alguma alteração nas letras? Ou o enfoque segue o mesmo, de criticas sociais e engajamento político? [Philippe] É difícil classificar o disco... Não sei, mas acho que não há a obrigação de manter um cunho político. O enfoque é mais pessoal. Falamos do que se acha errado, de coisas em que se acredita - ou não acredita -, das expectativas quanto a esse mundo cheio de problemas. Não é preciso falar especificamente de uma guerra ou de política, pois todo mundo hoje sabe o que anda acontecendo. E também é bom não se repetir... [*] Como foi para vocês tocar junto com bandas como Bad Religion e Pennywise? (Nota da redação: O Dead Fish abriu para as duas bandas norte-americanas em 2004) [Philippe] Foi do caralho!!! O Bad Religion é uma banda que nós crescemos escutando, aprendemos com eles. É um referência, sem dúvida. O Pennywise também foi foda... Há dez anos atrás, a gente nem imaginava que um dia iria conhecer esses caras. Eles têm uma cena bem mais forte e a cultura musical é bem diferente da nossa. [*] Vocês viraram ícones do hardcore nacional? [Philippe] ¿ Esse lance de ícone... Nós não consideramos ícones. A gente tá na ativa há um tempão, somos bem conhecidos na cena. Mas outros estão aí há tempos, como o Garage Fuzz, por exemplo... [*] Hoje em dia o rock é dividido em muitos rótulos, e até mesmo o hardcore tem os seus. Como é que tu vês essa mistura toda, sendo que de um lado há bandas como o CPM 22 e o ForFun, e do outro, o Dead Fish, com letras, digamos, mais profundas? [Philippe] Cara, eu acho legal o CPM. A praia deles é outra, mas tem uma galera de 13, 14 anos, que está começando a curtir o som através deles. É o seguinte: a educação nesse país tá uma merda, não podemos depender de ninguém, de políticos, do governo. Então, qualquer mensagem que faça o povo pensar é válida. [*] Vimos no palco que de peixe morto vocês não têm nada... Qual a origem do nome Dead Fish? [Philippe] Ah, não tem nada demais. Várias pessoas nos falam sobre isso, associam o nome ao som, querem achar um significado especial, que não existe. Apenas escolhemos alguns nomes que soavam legais e sorteamos - deu Dead Fish. Talvez hoje a gente escolhesse outro nome, que fosse em português (no início, a banda compunha músicas em inglês). Mas ficou Dead Fish e é isso aí, seguimos tocando até hoje pois somos peixes vivos (risos)!!! ENTREVISTA POR DANIEL SANES & SIMONE BERTUZZI
Estrevista DJ Mário Neto - 21-Jun-2006
O DJ paulista e quaaaase gaúcho Mario Neto contou um pouco de sua carreira, vinda para o RS e a cena eletrônica em entrevista ao Poa Beat. Neto começou seu vínculo com a e-music quando fez uma visita à Europa na metade dos anos 90, voltando ao Brasil apaixonado pelo estilo de som. A partir daí, o artista ficou de olho em alguns DJs mais experientes e passou a frequêntar os clubes de São Paulo Base e Hells, que bombavam na época e que hoje estão com as portas fechadas. Depois de conhecer e aprender as mixagens, Mario começou sua estrada como DJ em 2001, foi residente da P.R.I.V.A.T.E.M.D.M.A. em São José dos Campos (SP) e se apresentou em grandes festas de Psytrance em São Paulo e Manaus. Já sendo um destaque na cena eletrônica brasileira, o artista mudou-se para o Rio Grande do Sul, colaborando para a cena do estado.Em Porto Alegre, marca presença entre as casas mais conhecidas das noites como o Neo Club, Laika, Elo Perdido, Espiral e Hype, além de tocar no VNU em Novo Hamburgo. Na bagagem, Mário Neto traz apresentações com ícones como Neto Nasi, Bruno Braga, Matiello, X-Noise, Sub6, PsySex, Du Serena, Sam Miura e Rafael Dahan, além de tocar em várias festas gaúchas como o Garapiá Trance Festival, Psystars, Goa Energy, Psywalker, Supply Full e Union Sunglasses. [Simone Bertuzzi] Morando no RS desde 2003, o que você tem a dizer sobre a cena electrônica do estado? [DJ Mário] Falando de todos os estilos, de lá pra cá, acho que a cena cresceu muito. E quando me mudei pra cá, lembro que o Psytrance já tinha explodido há muito tempo em São Paulo, mas aqui ainda era pouco conhecido. Hoje em dia, há inúmeras festas no estado: de todos os tamanhos, para todos os gostos e públicos, sem nenhuma discriminação. Alguns dizem até que a cena psy cresceu até mais do que devia, mas eu não compartilho desta opinião; acho que a cena cresceu, porque cada vez mais e mais pessoas passaram a ouvir e curtir o trance. E um dos conceitos básicos do psy é o respeito! Então, todos nós temos a obrigação de sabermos respeitar o espaço de cada um e o gosto de todos. Penso ainda que as pessoas têm que saber escolher as festas com as quais se identificam, que pretendem ir e curtir, para poderem se divertir com os amigos, e ter boas lembranças depois, sem se meter em roubada. É muito comum as pessoas entrarem na onda de dizer que vão em determinada festa, e depois ficarem criticando a mesma no Orkut, dizendo que foi comercial ou que tinha muita lama. A gente tem que saber decidir e escolher. [Simone Bertuzzi] Você passou 2 meses na Inglaterra em 1994 ou 1995. Essa experiência na Europa mudou alguma coisa em você como DJ? [DJ Mário] Nessa época, obviamente, eu conhecia muito menos de música eletrônica do que conheço hoje. Mas eu lembro até hoje que a figura do DJ, nos clubs de lá, era (e ainda é) uma coisa cativante. A pessoa que está tocando é certamente quem vai estar mais em destaque durante toda a noite, é quem vai ter os holofotes virados para ele ou para ela o tempo todo. Acertando ou errando, é a pessoa que tem a responsabilidade de agitar a galera, e botar o povo pra dançar. E isso foi o que me motivou! Sempre brinco com a minha namorada e com os meus amigos, dizendo que me dá muito mais prazer olhar para uma pista lotada, e ver a galera toda dançando com um som que eu coloquei, do que estar dançando ali no meio (até porque eu não acho que dance muito bem). Então, voltando à pergunta, desde que fiz essa viagem, eu comecei a perceber que era isso que eu realmente gostava de fazer. [Simone Bertuzzi] Você freqüentava as noites paulistas de música electrônica. Existe diferenças nas suas mixagens quando você muda de público. Por exemplo, quando você veio de São Paulo para Porto Alegre? [DJ Mário] Quando eu vim pra cá, como já comentei, a cena em São Paulo estava mais madura. Lembro que, na minha primeira apresentação no estado (festa Borealis, no segundo semestre de 2003, na Neo), tive que tocar alguns ¿psyhits¿ que muita gente de São Paulo iria me vaiar, se me visse tocando. Mas era natural que eu tocasse aquelas músicas aqui, porque a maioria do público gaúcho ainda não conhecia o psy. Então, eu e os DJs daquela época tínhamos que acelerar a pista em grande estilo, pro psy decolar de uma vez. Algumas pessoas que estavam lá naquela noite vieram me perguntar o que era aquilo, que estilo era esse, cheio de melodia, com várias influências musicais, efeitos e guitarras... muitos tiveram seu primeiro contato com o psy naquela noite, e diziam ser muito bom. E a prova disso é que mandaram parar o som lá pelas seis da manhã, porque os seguranças tinham horário a cumprir, mas ainda tinha gente na pista! Quem foi, com certeza, se lembra... Hoje, esta diferença com São Paulo praticamente não existe. É claro que, dependendo da festa (ou do público para o qual eu vou me apresentar), tenho que escolher um set mais adequado à ocasião. Mas isso sem fugir ao meu estilo ou às músicas que gosto de tocar. O horário em que eu toco também vai ajudar a determinar se o meu set vai ser mais ¿full on¿, se for à noite, ou mais ¿groovy¿, se for durante o dia. [Simone Bertuzzi] Por que você escolheu ser DJ? [DJ Mário] Porque eu sempre gostei muito mais de tocar para os meus amigos, do que de ficar na pista junto com eles, dançando, como mencionei antes. Sou formado em Engenharia Eletrônica, e sempre fui aficcionado por som e imagem, sound systems gigantescos e barulhentos... fazer barulho, desde pequeno, era comigo mesmo. Um tio meu, que também é Engenheiro Eletrônico, foi uma grande influência, e sempre me ensinou a soldar, mexer em circuitos eletrônicos, amplificadores, etc. E, quando eu vi aquele monte de botões e fios das mesas de som, mixers e aparelhos de CD, fiquei muito curioso, e não sosseguei enquanto não aprendi a mexer em tudo. E não tinha vergonha de perguntar para outros DJs e técnicos de som! Eu trabalhava durante o dia, e ia a várias festas e clubs, e procurava observar ao máximo os DJs do lugar e me enturmar com eles. Naquele tempo, por já ser amigo de alguns DJs importantes, como Sam Miura (da Psyde Kaballah) e Neto Nasi (da Biodelic), comecei a conversar mais com eles, pedir dicas, perguntar, até que fui aprendendo a mixar com vários DJs de outros estilos, em todos os lugares que eu ia. No começo, teve uma época que eu ia na extinta Cheers (SP), todos os dias, por volta das oito da noite, e ficava lá mixando sozinho, só para mim mesmo, até o horário da abertura da casa. Daí, o DJ do lugar assumia as pick ups, e eu ficava ali, mas sem ficar atrapalhando o trabalho dele (é claro!). [Simone Bertuzzi] Muitas pessoas não encaram o cargo de DJ como profissão, mas muitas pessoas sobrevivem das mixagens. Qual sua opinião sobre isso? Você tem algum outro emprego paralelo? [DJ Mário] Quando se é um DJ famoso nacional ou internacionalmente, que viaja muito para se apresentar (e considerando que os organizadores irão te pagar um cachê justo), a idéia de viver a custa das mixagens parece ser interessante. Mas é preciso ter os pés no chão, e consciência que são poucos os Raja Rams e Goa Gils (DJs com mais de 60 anos), que ainda sobrevivem disso. Então, é preciso ter uma garantia, ou algo para te dar segurança para o resto da vida. Por exemplo, o próprio Rica Amaral é formado em odontologia, profissão que ele exercia até ficar famoso e ser dono da maior festa de psytrance do País; se um belo dia ele acordasse decidido a parar de tocar, poderia sobreviver da profissão que ele estudou e se formou. Portanto, infelizmente, é muito complicado considerar a hipótese de ser DJ como profissão, pois uma boa parte dos organizadores quer que você toque ¿no amor¿ (de graça), ou te propõe um cachê que, muitas vezes, não cobre nem os seus custos de deslocamento. Também existem muitos aventureiros que querem fazer uma festa, te chamam pra tocar, e depois não têm dinheiro pra pagar o que foi combinado. Por causa disso, eu comecei a selecionar as festas que eu toco, ou mesmo as que eu freqüento. Ou seja, optei justamente ter um outro emprego paralelo, que também adoro e não pretendo largar tão cedo, pois ele garante o meu sustento (para os querem saber, eu trabalho com vendas de computadores). E ter o hobby de ser DJ me dá mais flexibilidade para fazer algumas escolhas, assim como outros que também preferem fazer desta forma. O Carbon23 (Chaishop, SP), além de ser DJ, trabalha como advogado em um dos mais renomados escritórios do Brasil, e presta assessoria jurídica para outros artistas. Eu tenho a mesma sorte que ele, de ter um bom emprego, que me garante o que eu preciso para viver. [Simone Bertuzzi] A cena psy cresceu desparadamente de dez anos pra cá aqui no estado. O mercado cresceu e o número de músicas novas também. Qual sua opinião sobre as segmentações que foram surgindo na música eletrônica mundialmente? [DJ Mário] Eu me arriscaria a dizer até que cresceu mesmo de uns cinco anos pra cá. Acho que ainda existe espaço para todos os gostos e estilos, mas logo mais deve acontecer aqui a mesma coisa que aconteceu em São Paulo, onde a cena ficou saturada de tantos DJs e pseudo-DJs (os MCs / Music Colocators) que apareceram. Além disso, confesso que é muito difícil acompanhar 100% do que é lançado por todos os selos de psytrance, em todos os estilos. Só consegue quem vive disso mesmo, pois é muita coisa que é lançado toda semana. Só dentro do psy, que eu conheça, existe: proggy (ou progressive), full on, groovy, dark, morning... e outros gêneros de psy ainda mais específicos, que alguns já consideram como sendo variações: buttrock goa, death trance, psytekk (ou minimal psytrance), etc, etc. [Simone Bertuzzi] Você faz alguma prévia do que vai rolar nas noites em que você discoteca? Se sim, como é o processo? [DJ Mário] Eu sempre gosto de me programar, escolher as músicas que quero tocar no dia, e montar um set básico, com músicas que eu considero que não poderão faltar no meu set daquele dia. Mas tudo isso vai depender do público e da vibe da festa, ou até do que foi tocado pelo DJ que me antecedeu, etc. Já aconteceu de ter que mudar um set em cima da hora, porque o público não estava receptivo para as músicas que eu estava tocando, ou porque ficaria horrível praticamente repetir o set do DJ anterior (não preciso nem comentar que o público não quer ouvir isso). Obviamente, que me programar também vai depender da minha agenda ou de outros compromissos que eu tenha, e é raro acontecer um dia que eu não esteja fazendo nada. [Simone Bertuzzi] Qual é o segredo de um DJ para fazer as pessoas dançarem até o amanhecer? [DJ Mário] O principal segredo é estar sempre atento na pista. O DJ está em evidência; ele canaliza, recebe e transmite muita energia. Então, ele precisa sempre ter certeza que ele está tocando algo que, por mais que ele goste, o público também está gostando, e que está na mesma vibe que ele. Sempre faço analogia com passar uma mensagem para alguém (você precisa ter certeza de que as pessoas que estão lá receberam o recado que você quis mandar). É exatamente o mesmo princípio de quem vai dar uma palestra, que tem que estar sempre ligado na platéia, para ver se o público não está de saco cheio. Se todos estiverem na mesma vibe, pode amanhecer, escurecer e amanhecer de novo, que todo mundo vai estar ali curtindo muito! [Simone Bertuzzi] Existe algum projeto em mente? [DJ Mário] Existe sim. Pretendo reativar até 2007 o PsyConnection, que ainda está fora do ar, por não termos tempo de alimentar o conteúdo do site, e dar a atenção que ele merece. Finalmente, eu e o Alle (produtor) também estamos sempre conversando sobre a possibilidade de ressucitarmos o Psykers, que é o nosso projeto de Live PA, mas ainda não sabemos quando. Chegamos a produzir quatro músicas em 2004, mas tivemos que parar, devido a obrigações profissionais não relacionadas ao psytrance, que exigiram que interrompêssemos as produções e tudo mais. Porém isso é algo que ainda deve demorar alguns anos para acontecer. ENTREVISTA POR SIMONE BERTUZZI AO SITE POA BEAT Terça-feira, Maio 30, 2006
::: 2 de mais de 100 notícias ::: Neil Young contra a guerra [17/04/2006 16:04:49] Depois do último disco Praire Wind, lançado em 2005, Neil Young dedicará seu próximo álbum criticando o presidente americano George Bush e a Guerra do Iraque. O CD foi gravado muito rápido, em três dias. E segundo o UOL, estará à venda nas próximas semanas. Intitulado Living With War, é completo por doze canções com letras fortes, como a segunda faixa que se chama Impeach the presidente. Conforme consta na imprensa canadense, Neil e os músicos Crosby, Stilles e Nahs podem retornar a tocarem juntos para uma turnê em breve. Está disponível no site www.neilyoung.com, um breve trailer do último DVD do cantor, Heart Of Gold. Iggy Pop fala sobre o novo álbum dos Stooges [18/04/2006 18:17:16] Os Stooges trabalham em seu novo álbum depois não gravarem desde 1973. Separados desde o final dos anos 70, os integrantes voltaram a tocar no ano de 2003. Está previsto para o ano que vem o lançamento do próximo disco produzido por Steve Albini, segundo o NME. Iggy Pop declarou à imprensa america sobre projeto: Todas as paixões e problemas estarão lá. Mas tudo está de uma maneira mais madura. Eu ainda sou a pessoa do grupo que quer toda a atenção. Todos têm seu papel. A banda formada em 1967 pelos irmãos Ron e Scott Asheton, Iggy Pop e Dave Alexander, teve seu primeiro disco em 1969. O intitulado The Stooges não teve boas vendas. O segundo álbum, Fun House, foi lançado em 1970, depois de Dave Alexander sair e dar lugar a James Wiliamson. Também não teve uma boa repercursão comercial. A próxima tentativa foi com o terceiro CD, Raw Power, melhor aceito que os outros dois, mas não o suficiente para continuar com a carreira da banda. Segunda-feira, Maio 29, 2006
|